terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Agência Brasil
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Dívida bruta brasileira atinge 80,4% do PIB em abril pressionada por R$ 10,4 trilhões em juros

A dívida pública bruta do Brasil registrou nova elevação, alcançando o patamar de 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril. Dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira, 29, confirmam que o endividamento total do país atingiu a marca de R$ 10,4 trilhões. O indicador, que engloba as contas do Governo Federal, do INSS e das gestões estaduais e municipais, apresentou um crescimento de 0,3 ponto percentual em relação ao mês de março.

Impacto dos juros nominais no endividamento

O avanço das obrigações financeiras no acumulado do ano já soma 1,7 ponto percentual do PIB. Segundo a autoridade monetária, o principal motor desse crescimento foi o peso dos juros nominais apropriados. A despesa com os encargos da máquina pública superou os efeitos positivos gerados pelo crescimento da atividade econômica e pela valorização cambial observada no período.

Escalada dos custos e déficit nominal

O custo para manter os compromissos do Estado brasileiro apresentou uma disparada significativa. O setor público consolidado desembolsou R$ 84,8 bilhões apenas com juros nominais em abril, frente aos R$ 69,7 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de doze meses, a conta de juros atingiu a cifra recorde de R$ 1,095 trilhão, o que representa 8,43% de toda a riqueza produzida no país.

Essa pressão sobre o caixa governamental resultou em um déficit nominal de R$ 60,1 bilhões no balanço mensal. O rombo acumulado em doze meses estacionou em R$ 1,222 trilhão, mantendo o indicador de desperdício em 9,41% do PIB. Paralelamente, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) seguiu a tendência de alta, alcançando 67,4% do PIB, totalizando R$ 8,8 trilhões.

Desafio estrutural nas contas públicas

Apesar de o setor público consolidado ter registrado um superávit primário de R$ 24,624 bilhões em abril — superando a projeção de R$ 22 bilhões de analistas da Reuters —, o alívio no caixa é considerado momentâneo. O balanço do Banco Central revela que o setor público acumulou um déficit primário real de R$ 126,6 bilhões nos últimos doze meses.

Esse resultado negativo na contabilidade de longo prazo, equivalente a 0,97% do PIB, evidencia a dificuldade da gestão federal em conter a expansão dos gastos correntes. Enquanto o Governo Central liderou o resultado positivo com R$ 26,1 bilhões, estados e municípios apresentaram um saldo de R$ 329 milhões, e as empresas estatais federais encerraram o período com déficit de R$ 1,8 bilhão.

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