sábado , 13 junho 2026
Foto: Divulgação/ Banco Master
Foto: Divulgação/ Banco Master

Investigações judiciais miram empreendimentos de luxo em SP com Novonor e fundos

Uma série de seis empreendimentos imobiliários de alto padrão na cidade de São Paulo está sob o foco de investigações judiciais, conectando a Novonor, antiga Odebrecht, a fundos de investimento atribuídos a um ex-controlador de instituição financeira. Os projetos, localizados em bairros valorizados da capital paulista, abrangem desde edifícios residenciais de luxo até studios para locação de curta estadia e complexos de uso misto, refletindo um segmento de mercado de grande valor.

A situação desses empreendimentos ganhou destaque em virtude de decisões proferidas pela 3ª Vara de Falências de São Paulo. A corte determinou a averbação de pendências judiciais sobre bens vinculados ao ex-controlador, como parte de uma ação cautelar preparatória. O objetivo é subsidiar uma futura ação revocatória, na qual o liquidante da instituição financeira busca reaver ativos que, supostamente, teriam sido desviados.

Conexões imobiliárias e o cenário judicial em São Paulo

A parceria nos projetos imobiliários envolve a Orion Empreendimentos, sucessora da Odebrecht Realizações Imobiliárias, e sociedades anônimas que, segundo o liquidante da instituição financeira, são controladas por fundos de investimento ligados ao ex-banqueiro. Essa estrutura societária complexa é o cerne da apuração que revelou as conexões entre as partes.

Os empreendimentos são geridos por cinco incorporadoras distintas, onde a Orion atua em conjunto com a Magma Empreendimentos, uma das sociedades anônimas. A investigação judicial aponta que os fundos Lunar e Quality Golden teriam sido empregados como mecanismos para a aquisição e titularização formal de bens, destinados ao uso e benefício pessoal do ex-controlador. Ambos os fundos figuram como acionistas da Magma Empreendimentos, parceira da Orion em diversos projetos.

Detalhes dos empreendimentos de alto padrão e seus valores

Entre os projetos em questão, um já foi concluído e entregue recentemente: o Baume Itaim. Este edifício conta com 21 apartamentos de luxo, cujos valores de mercado são expressivos. Outros três empreendimentos estão atualmente em fase de comercialização, somando centenas de unidades residenciais e não residenciais, indicando a escala das operações.

Adicionalmente, existem dois projetos que já foram anunciados ao público, mas ainda aguardam o lançamento oficial no mercado. A diversidade e o volume desses empreendimentos sublinham a relevância da parceria no setor imobiliário de luxo da capital paulista, atraindo a atenção do mercado e das autoridades.

Os fundos de investimento e as alegações de desvio de ativos

A ligação entre os fundos e o ex-controlador financeiro é um ponto central da investigação. O fundo Lunar, por exemplo, contava entre seus cotistas, em um período anterior, com outro fundo que também detinha participação atribuída ao ex-controlador em uma sociedade anônima do futebol. Essa interconexão de investimentos é um dos aspectos analisados pelas autoridades.

O liquidante da instituição financeira argumenta que a utilização desses fundos para a aquisição de bens seria uma forma de desviar ativos da instituição, justificando a ação cautelar e a busca pela recuperação desses valores. A complexidade das operações financeiras e societárias é um desafio para a apuração completa dos fatos.

Respostas corporativas e os desdobramentos legais da situação

A OR, braço imobiliário da Novonor, emitiu um comunicado afirmando que os aportes financeiros nos empreendimentos foram negociados em um período anterior com empresas supostamente ligadas a um ex-CEO da instituição financeira. A companhia ressaltou que os acordos passaram por rigorosos procedimentos internos de governança, os quais, na época, não indicaram a instituição financeira ou o ex-controlador como beneficiários finais das investidoras.

A empresa declarou ainda que, ao tomar conhecimento dos processos judiciais envolvendo suas sócias por meio da imprensa, agiu de forma imediata para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas. Contudo, até o momento da publicação desta matéria, não havia registro de alterações societárias na Junta Comercial. Um dos indivíduos mencionados nas negociações, um ex-CEO, foi anteriormente detido em uma operação e atualmente cumpre medidas cautelares.

O primeiro projeto e o financiamento controverso do Baume Itaim

O Baume Itaim, lançado em um período anterior, representa o primeiro empreendimento concluído dessa parceria. Sua incorporadora é uma sociedade dividida igualmente entre a Orion e a Magma Empreendimentos. A Magma é administrada por um indivíduo que é irmão de um advogado envolvido em outra operação policial, acusado de estruturar pagamentos ilícitos por meio da aquisição de imóveis.

Documentos revelam que, ao menos um dos terrenos utilizados no Baume Itaim foi adquirido com financiamento concedido pela instituição financeira em um período anterior. As cotas da Magma no empreendimento foram oferecidas como garantia ao banco e permanecem vinculadas a essa operação de crédito, adicionando uma camada de complexidade ao cenário judicial.

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