sábado , 13 junho 2026
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Empresários articulam no Senado para frear tramitação da PEC do fim da escala 6×1

Representantes do setor produtivo brasileiro intensificaram, nesta terça-feira, 26, as movimentações no Senado Federal com o objetivo de conter o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1. Em reunião com o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), o grupo solicitou que a tramitação da matéria não seja acelerada, defendendo que o debate seja postergado para um período posterior ao pleito eleitoral.

Pressão por cautela e adiamento do debate

O encontro contou com a presença de senadores da oposição, que endossaram a preocupação dos empresários quanto à celeridade do processo legislativo. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), destacou que a principal demanda é evitar que a proposta seja votada de forma apressada, especialmente sob o clima de disputa política.

Segundo Marinho, a urgência na análise da PEC pode resultar em efeitos negativos para a economia do país. A estratégia dos empresários é garantir que o texto passe por uma discussão profunda, longe das pressões imediatistas do calendário eleitoral, que poderia comprometer a viabilidade operacional das empresas.

Articulação setorial e preocupação com a produtividade

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, liderou a comitiva que representou diversos segmentos, incluindo indústria, comércio, agricultura, setor de bares e restaurantes e shopping centers. De acordo com Skaf, o presidente do Senado demonstrou atenção aos argumentos apresentados, reconhecendo a complexidade do tema e a necessidade de um debate mais amplo.

Nos bastidores, o setor produtivo também busca influenciar a escolha do relator da matéria no Senado. A preferência é por um parlamentar que não esteja envolvido na disputa pela reeleição este ano, visando mitigar o peso de interesses eleitorais sobre a condução técnica da proposta.

Tramitação e o papel do governo

A proposta, que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê a redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais em um prazo de 14 meses, além da concessão de dois dias de folga semanal ainda neste ano. O governo federal enxerga a medida como um pilar estratégico para fortalecer sua base de apoio popular.

No Senado, a matéria deve iniciar sua trajetória pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atualmente presidida por Otto Alencar (PSD-BA), que é um aliado do governo. Caso os senadores realizem alterações no texto original aprovado pelos deputados, a proposta deverá retornar à Câmara para uma nova rodada de votações. Para mais detalhes sobre o cenário legislativo, acompanhe as atualizações em Revista Oeste.

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