sábado , 13 junho 2026
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Proposta que prevê o fim da escala 6×1 avança na Câmara após aval de comissão especial

A comissão especial responsável pela análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa pôr fim à escala de trabalho 6×1 aprovou o texto por uma ampla maioria. Com 34 votos favoráveis e apenas 4 contrários, o parecer do relator foi acatado, marcando um passo significativo para a alteração da jornada de trabalho no país. A matéria agora segue para o plenário da Câmara dos Deputados, onde enfrentará duas rodadas de votação e necessitará de no mínimo 308 votos para ser promulgada.

O resultado da votação reflete um período intenso de discussões e audiências públicas realizadas pela comissão. Enquanto parlamentares da base governista destacaram a abrangência do debate e a escuta das diversas partes envolvidas, a oposição levantou preocupações significativas sobre os potenciais impactos econômicos da medida, sinalizando que o tema ainda gerará calorosas discussões nas próximas etapas legislativas.

Avanço legislativo para o fim da escala 6×1

A aprovação do parecer do deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta, representa um marco no processo legislativo. A comissão especial, sob a presidência do deputado Alencar Santana (PT-SP), afirmou ter promovido um ambiente de diálogo e análise aprofundada ao longo de quase um mês, buscando equilibrar os interesses de trabalhadores e empregadores. O avanço da PEC do fim da escala 6×1 para o plenário da Câmara coloca o tema em destaque na agenda nacional, com a expectativa de que a votação ocorra em breve.

Divergências e impactos econômicos em debate

Durante as discussões na comissão, a oposição expressou fortes ressalvas quanto à implementação da nova jornada de trabalho. Deputados alertaram para possíveis consequências econômicas, como o aumento dos custos operacionais para as empresas, que poderiam ser repassados aos preços de produtos e serviços, gerando um efeito inflacionário. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) enfatizou que os pequenos negócios seriam os mais vulneráveis a esses impactos, argumentando que, em nações desenvolvidas, a redução da jornada de trabalho historicamente ocorreu após períodos de crescimento econômico e ganhos de produtividade. “O que ninguém conta é como a redução de jornada vai afetar o empreendedor, o consumidor e o próprio trabalhador”, declarou o parlamentar. “A farmácia, a padaria e o supermercado vão subir os preços ou, pior, vão fechar as portas.”

Em um movimento estratégico, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou a intenção de apresentar um destaque no plenário. Sua proposta visa uma escala ainda mais reduzida, de 4×3 (quatro dias de trabalho e três de folga), e sem período de transição, com o objetivo declarado de evidenciar “quem de fato está do lado do trabalhador”.

Principais mudanças propostas pela PEC

A Proposta de Emenda à Constituição aprovada pela comissão especial altera o artigo 7º da Constituição Federal, estabelecendo um novo paradigma para a jornada de trabalho no país. A principal mudança é a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, acompanhada de uma transição gradual de 14 meses para sua completa implementação. É fundamental destacar que a proposta garante a irredutibilidade salarial, ou seja, a diminuição da carga horária não implicará em redução dos vencimentos dos trabalhadores. Além disso, a PEC institui a escala 5×2, assegurando dois dias de descanso semanal remunerado.

O texto final da proposta foi construído em consenso com o governo, buscando um equilíbrio entre as demandas dos trabalhadores e as preocupações do setor produtivo. A transição para a nova jornada ocorrerá em duas etapas: a primeira, reduzindo para 42 horas semanais, será implementada 60 dias após a promulgação da emenda; a segunda etapa, que culmina nas 40 horas semanais, terá início 12 meses depois. A PEC também prevê a flexibilização de regras por meio de negociações em acordos coletivos, permitindo adaptações conforme as especificidades de cada setor econômico. As convenções trabalhistas vigentes perderão a validade 60 dias após a promulgação da emenda, abrindo espaço para novas regulamentações alinhadas à nova legislação. Para mais detalhes sobre a proposta, veja a análise completa do parecer do relator.

Próximos passos no Congresso Nacional

A PEC do Fim da Escala 6×1 agora se prepara para o desafio do plenário da Câmara dos Deputados. A análise da proposta já está prevista nas pautas anunciadas pela Mesa Diretora da Casa, com a expectativa de votação em dois turnos. Conforme as regras regimentais, há um intervalo mínimo de cinco sessões entre as duas votações. Contudo, é comum que a Câmara aprove requerimentos de urgência para acelerar esse processo, permitindo que a análise da proposta seja concluída em um prazo mais curto. O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia sinalizado um acordo com o governo para que a votação ocorresse antes do fim do mês, reforçando a celeridade que o tema tem recebido no Legislativo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *