terça-feira , 2 junho 2026
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Polícia Federal apura uso de Whatsapp para orquestrar fraudes no BRB

A Polícia Federal (PF) revelou detalhes de uma investigação que aponta o uso de um grupo de WhatsApp para coordenar supostas fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). As apurações indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, teria utilizado a plataforma para emitir diretrizes a seus subordinados na elaboração de documentos com informações inconsistentes, visando garantir aportes financeiros do banco estatal.

Este inquérito se insere em um contexto mais amplo de investigação sobre alegadas irregularidades em aportes que somam ao menos R$ 12,2 bilhões realizados pelo BRB no Banco Master. Além das fraudes documentais, a PF também apura suspeitas de pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob a acusação de favorecer os interesses de Vorcaro nas operações.

O Grupo “INFO – BRB” e as Orientações para Fraudes

As evidências coletadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro apontam para a existência de um grupo de WhatsApp denominado “INFO – BRB”. Este grupo, composto por Vorcaro, Alberto Félix (superintendente de tesouraria do Master à época) e Ângelo Silva (diretor financeiro da instituição), seria o canal de comunicação para a orquestração das supostas fraudes. As mensagens trocadas revelam uma coordenação direta para a manipulação de informações em documentos destinados ao BRB.

Em um dos diálogos interceptados, Vorcaro expressa insatisfação com a divergência de valores apresentados em extratos enviados ao banco estatal, escrevendo: “Não fecha a conta”. Para os investigadores, essa e outras conversas reforçam a participação ativa e direta de Vorcaro e de outros executivos do Banco Master na produção de documentos supostamente falsificados. O objetivo seria assegurar a liberação de recursos do BRB, que, segundo a PF, seriam cruciais para o Banco Master enfrentar uma crise de liquidez que se arrastava desde agosto de 2024.

Manipulação de Valores e Inconsistências Documentais

Um episódio específico da investigação detalha uma cobrança de Vorcaro, em 23 de junho de 2025, para o envio de um extrato referente a carteiras de crédito consignado atribuídas à empresa Tirreno, que é apontada pela PF como uma possível empresa de fachada. O documento em questão seria encaminhado ao BRB. Após o recebimento do arquivo, Vorcaro manifestou irritação com os números apresentados, destacando uma discrepância entre R$ 6,4 bilhões e R$ 7,2 bilhões, valores de recompra.

A resposta de Alberto Félix, indicando que o documento ainda considerava débitos pendentes, foi rebatida por Vorcaro com a instrução de “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração”, evidenciando, na visão da PF, uma tentativa de manipular os valores do extrato bancário. O Banco Central (BC) já havia identificado inconsistências semelhantes, questionando a ausência de rendimentos financeiros no documento apresentado pelo Master. Posteriormente, um terceiro valor, de R$ 6,6 bilhões, foi registrado em um documento entregue ao BC, diferente dos números debatidos internamente pelos executivos, reforçando as suspeitas de manipulação.

Pendências Contratuais e a Busca por Legalidade Artificial

Outra frente da investigação se concentra em conversas de 13 de maio de 2025, nas quais Daniel Vorcaro encaminha aos seus subordinados uma lista de inconsistências apontadas pelo BRB nas carteiras de crédito vendidas. Entre os problemas identificados estavam a falta de reconhecimento em cartório dos contratos e a ausência de comprovantes de averbação. Alberto Félix respondeu que providenciaria o reconhecimento de firma dos contratos, mas admitiu dificuldade para obter a documentação de registro das operações.

As mensagens subsequentes, datadas de 23 de maio, mostram a persistência dessas pendências, com Vorcaro pressionando para a regularização dos documentos exigidos pelo BRB. A discussão incluiu a emissão de contratos de “cláusula mandato”, um mecanismo que, segundo a PF, seria utilizado para conferir uma aparência de legalidade a créditos que poderiam ser falsificados. A insistência de Vorcaro em um “mutirão de emissão no fds” sugere aos investigadores que os contratos estavam sendo produzidos ou revisados meses após a suposta formalização original dos negócios, indicando uma tentativa de retroagir a documentação para mascarar as irregularidades.

Implicações e Desdobramentos da Investigação

A análise dos diálogos no grupo de WhatsApp “INFO – BRB” é considerada pela Polícia Federal como um elemento crucial que reforça a tese de uma participação direta dos executivos do Banco Master nas supostas fraudes. A investigação não se limita apenas à manipulação de documentos, mas também abrange a suspeita de corrupção, com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sendo alvo de apuração por supostamente ter favorecido os interesses de Daniel Vorcaro em troca de propina.

As informações reveladas pela PF, publicadas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, delineiam um cenário complexo de operações financeiras questionáveis e tentativas de legitimação de créditos irregulares. A continuidade das investigações busca esclarecer a extensão total das supostas fraudes e a responsabilização dos envolvidos, com o objetivo de garantir a integridade do sistema financeiro e a correta aplicação dos recursos públicos.

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