sábado , 13 junho 2026
Foto: Divulgação/Agência Brasil
Foto: Divulgação/Agência Brasil

Polícia Federal apura compra de mansão com dinheiro vivo por esposa de desembargador

A Polícia Federal (PF) está no centro de uma investigação que apura a aquisição de uma propriedade de luxo avaliada em mais de R$ 2,1 milhões, supostamente comprada com o uso exclusivo de dinheiro em espécie. O caso envolve a esposa de um desembargador aposentado, Viviane Alves Gomes de Paula, e levanta questões sobre a origem dos recursos e a transparência das transações financeiras. As apurações indicam que os pagamentos foram realizados em Campo Grande (MS), e os detalhes foram inicialmente divulgados por um portal de notícias.

As descobertas da PF sugerem um padrão de conduta voltado a evitar o rastreamento bancário, com a investigada realizando encontros presenciais e transportando grandes volumes de notas. A complexidade da operação e a tentativa de ocultar os fluxos financeiros são pontos centrais da investigação, que busca esclarecer a legalidade e a proveniência dos valores movimentados.

Detalhes da investigação da Polícia Federal sobre pagamentos em espécie

A investigação da Polícia Federal revelou que Viviane Alves Gomes de Paula, esposa do desembargador aposentado Divoncir Schreiner Maran, teria financiado a construção de uma mansão de luxo utilizando exclusivamente dinheiro em espécie. Os pagamentos, que superam os R$ 2,1 milhões, foram direcionados a fornecedores e prestadores de serviço na capital sul-mato-grossense. Mensagens interceptadas pela polícia indicam que Viviane agendava encontros para realizar os repasses em dinheiro, evitando transações bancárias ou o uso de cartões de crédito.

Os agentes federais identificaram indícios de que as entregas dos valores eram feitas dentro de veículos, numa tentativa de burlar câmeras de monitoramento. Em um dos diálogos obtidos pela PF, a investigada teria solicitado um desconto para quitar uma compra de ferragens no valor de R$ 40 mil em dinheiro vivo, proposta que surpreendeu o vendedor, que informou aceitar apenas Pix, boleto ou cartão. Outro episódio relevante envolveu o pagamento de R$ 650 mil pela montagem de móveis planejados, com o prestador de serviço sendo chamado para receber as notas na calçada do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), local de trabalho de Viviane. O relatório técnico da Polícia Federal confirmou que a origem de todo o dinheiro empregado na moradia permanece desconhecida.

Conexão com decisão judicial e liberdade de traficante

A cronologia dos fatos aponta para uma possível conexão entre a construção da mansão e uma decisão judicial proferida pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran. A reforma da propriedade teve início em 2021, um ano após o magistrado conceder um habeas corpus que resultou na libertação do megatraficante Gerson Palermo. Palermo, uma figura de liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC), havia sido condenado a 126 anos de reclusão por tráfico internacional de drogas.

O desembargador concedeu a prisão domiciliar a Palermo durante o plantão do feriado de Tiradentes, em 2020, alegando risco de infecção por covid-19. Contudo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) constatou que a soltura foi assinada sem a exigência de qualquer laudo médico que comprovasse o estado de saúde do preso. Logo após ser liberado, Gerson Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu do país, permanecendo na lista dos criminosos mais procurados pelo governo federal.

Ação do CNJ e defesa dos investigados

Diante das irregularidades, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) impôs a pena de aposentadoria compulsória ao desembargador Divoncir Maran em 10 de fevereiro deste ano. O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pelo CNJ comprovou que o magistrado cometeu faltas graves ao conceder o benefício da prisão domiciliar a um criminoso de alta periculosidade, sem a devida fundamentação e sem seguir os protocolos exigidos.

Em resposta às acusações, a defesa de Divoncir Maran e de sua esposa divulgou um comunicado oficial, refutando as conclusões da Polícia Federal. Os advogados do casal negam qualquer ilegalidade ou o recebimento de vantagens financeiras ilícitas durante o exercício da magistratura. A defesa criticou o vazamento do inquérito e afirmou que aguarda o acesso integral aos documentos para apresentar as justificativas cabíveis na Justiça, enfatizando que qualquer juízo antecipado sobre o patrimônio da família é imprudente e desrespeita o direito de defesa dos investigados. Para mais informações sobre investigações no Brasil, consulte g1.globo.com.

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