domingo , 21 junho 2026
Foto: Lula Marques/Agência PT
Foto: Lula Marques/Agência PT

Gleisi Hoffmann defende Jaques Wagner e cobra respostas em investigação do Banco Master

A deputada federal e ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), manifestou sua crença na inocência do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em meio às investigações da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). No entanto, Hoffmann foi enfática ao afirmar que, caso haja comprovação de envolvimento ou benefício pessoal, o senador terá de responder perante a Justiça.

Jaques Wagner, uma das figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores na Bahia e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é alvo de apurações que o conectam a possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A operação da PF investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras supostamente ligadas à instituição bancária.

A Operação Compliance Zero e o Senador Wagner

As investigações da Polícia Federal, que culminaram na 9ª fase da Operação Compliance Zero, têm como foco principal o suposto envolvimento de Jaques Wagner com o Banco Master. Durante a ação, a PF apreendeu dois celulares do senador, buscando evidências de comunicações com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Mensagens de Lima já haviam sido encontradas em etapas anteriores da operação, reforçando a linha investigativa.

A operação busca desvendar uma complexa rede de possíveis crimes financeiros, incluindo corrupção e lavagem de dinheiro, que teriam sido praticados por meio do Banco Master. A amplitude das apurações sublinha a seriedade das acusações e a determinação das autoridades em esclarecer os fatos.

A Posição de Gleisi Hoffmann e a Defesa da Investigação

Em entrevista à Rádio BandNews, Gleisi Hoffmann reiterou sua confiança na integridade de Jaques Wagner. “Acredito no Jaques, que ele não tenha nada a ver [com o Master]”, declarou a parlamentar. Contudo, ela ressaltou a importância da responsabilização em caso de comprovação de irregularidades: “Agora, se tiver comprovação de envolvimento ou benefício pessoal dele, tem de responder. Ninguém está isento disso.”

A pré-candidata ao Senado Federal pelo PT também ponderou sobre a natureza das denúncias, afirmando que nem sempre são verdadeiras e que a recuperação da reputação pode ser um processo longo. “Depois, para resgatar a verdade ou a dignidade da pessoa, demora mais. No entanto, isso nunca fez com que deixássemos de investigar: se o Jaques tiver alguma coisa, ele vai ter de explicar.”

Conexões e Outras Investigações Mencionadas

Durante sua manifestação, Gleisi Hoffmann também fez menção ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, buscando estabelecer um paralelo com o caso Master. Ela citou reportagens que divulgaram mensagens e um áudio de Flávio Bolsonaro ao dono do Master, Daniel Vorcaro, cobrando pagamentos para a produção de um filme.

“Isso [suspeitas envolvendo Jaques Wagner] também não tira a gravidade do que está acontecendo com o Flávio Bolsonaro”, disse Gleisi, enfatizando a necessidade de investigar todas as frentes. A deputada destacou a autonomia da Polícia Federal e a transparência na condução do processo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aguardando os desdobramentos.

Valores Apreendidos e a Defesa de Wagner

As investigações resultaram na apreensão de valores significativos. Em um quarto de hotel em Brasília, a PF encontrou US$ 49 mil. Já em um imóvel de Jaques Wagner em Salvador, foram apreendidos mais de US$ 6 mil e 33,5 mil euros. O montante total apreendido equivale a aproximadamente R$ 479 mil.

Em sua defesa, Jaques Wagner afirmou que parte desses valores corresponde a diárias recebidas do Senado para missões internacionais. O senador negou veementemente ter recebido qualquer quantia do Banco Master ou de Augusto Lima, reforçando sua posição de não envolvimento com as irregularidades investigadas.

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