domingo , 21 junho 2026
Foto: Reprodução
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Picpay e diretor Eduardo Chedid são alvo de operação por juros ilegais

A Operação Juros Zero, deflagrada pelo Ministério Público nesta sexta-feira, direcionou suas ações ao diretor executivo do PicPay, Eduardo Chedid Simões. A investigação apura um suposto esquema de descontos ilegais nas folhas de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal, levantando questões sobre a legalidade de práticas financeiras no setor de adiantamento salarial. As buscas e apreensões realizadas em diversas cidades brasileiras marcam um novo capítulo na fiscalização de grandes players do mercado de meios eletrônicos de pagamento.

A Operação Juros Zero e as acusações contra o PicPay

A ação do Ministério Público, parte da Operação Juros Zero, visa desvendar um complexo esquema que teria permitido ao PicPay, controlado pelo grupo J&F, embolsar indevidamente mais de R$ 80 milhões de funcionários públicos do Distrito Federal. A investigação sugere que a empresa teria se beneficiado de um contrato com o governo local, firmado após um decreto que abriu caminho para o serviço de adiantamento salarial. O Tribunal de Contas do DF identificou que a fintech estaria cobrando juros camuflados sob a denominação de “taxa de antecipação”, configurando uma prática potencialmente ilegal.

Para combater o suposto esquema, o Ministério Público mobilizou agentes para cumprir 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. Além disso, a Justiça determinou o congelamento de quase R$ 90 milhões das contas bancárias do PicPay e da Associação dos Servidores do DF. A lista de crimes sob apuração é extensa, incluindo corrupção ativa, lavagem de dinheiro, propaganda enganosa, fraude em sistemas e organização criminosa, indicando a gravidade das alegações. Segundo informações divulgadas por portais de notícias, a investigação aponta que o PicPay teria embolsado ilegalmente mais de R$ 80 milhões.

O Perfil e a Carreira de Eduardo Chedid

Eduardo Chedid Simões, o executivo no centro das atenções da Operação Juros Zero, atua como diretor-executivo (CEO) do PicPay desde 2022 e assumiu a chefia da holding internacional do grupo em 2024. Sua trajetória profissional abrange mais de três décadas no setor brasileiro de meios eletrônicos de pagamento, com uma carreira consolidada em postos de liderança na Avenida Faria Lima, o renomado centro financeiro de São Paulo. Formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Chedid possui um vasto currículo em empresas de destaque.

Ao longo de sua carreira, o administrador exerceu a presidência da Elo por seis anos e ocupou o cargo de vice-presidente comercial da operadora Cielo. Ele também foi vice-presidente da Visa, diretor da Credicard e membro do conselho da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em seu histórico, Chedid já havia sido indiciado em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que adiciona um precedente à sua atual situação.

A Defesa do PicPay e o Andamento da Investigação

Em resposta às acusações dos promotores, o PicPay divulgou uma nota oficial, rebatendo as alegações. A companhia declarou não reconhecer nenhuma falha nas operações mencionadas e negou veementemente a existência de cobranças abusivas contra seus clientes. Segundo os representantes da empresa, o dinheiro referente ao adiantamento salarial era depositado diretamente no cartão do usuário, e a firma mantém total cooperação com o Poder Judiciário para o esclarecimento dos fatos.

A investigação prossegue, com as autoridades buscando detalhar a extensão do suposto esquema e a responsabilidade dos envolvidos. A Operação Juros Zero destaca a crescente fiscalização sobre as práticas do mercado financeiro digital e o impacto de suas operações na vida de servidores públicos. O desdobramento do caso será acompanhado de perto, dada a relevância dos valores envolvidos e a posição do PicPay no cenário financeiro nacional.

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