A Câmara dos Deputados deu um passo significativo em direção à ampliação das restrições para herdeiros condenados por homicídio contra familiares. Recentemente, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o parecer favorável ao Projeto de Lei 23/2026, uma proposta que busca reformar o Código Civil para endurecer as regras de sucessão em casos de crimes graves.
Conhecido popularmente como “Lei Suzane von Richthofen”, o projeto reflete um anseio social por justiça e moralidade nas relações familiares e sucessórias. A iniciativa visa impedir que indivíduos que cometeram atos hediondos contra seus parentes possam se beneficiar financeiramente da herança, uma situação que a legislação atual nem sempre abrange de forma satisfatória.
Avanço Legislativo para a Exclusão de Herança por Homicídio
O cerne da proposta aprovada pela CCJ reside na modificação do Código Civil, especificamente no que tange à exclusão por indignidade. Atualmente, a perda do direito à herança ocorre apenas quando o herdeiro comete homicídio doloso ou tentativa de homicídio contra o autor da herança, seu cônjuge, companheiro, ascendentes ou descendentes.
O Projeto de Lei 23/2026, no entanto, propõe estender essa exclusão para atingir parentes colaterais até o quarto grau. Isso significa que pessoas condenadas por matar familiares como irmãos, tios, sobrinhos ou primos também seriam impedidas de receber a herança de outros integrantes da família. A medida busca fechar uma lacuna legal que, segundo defensores da proposta, permitia situações de profunda injustiça e imoralidade.
O Contexto do Projeto: A “Lei Suzane von Richthofen”
O apelido “Lei Suzane von Richthofen” não é por acaso. O projeto ganhou notoriedade e urgência em razão do emblemático caso de Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos próprios pais. A discussão sobre a possibilidade de ela herdar parte dos bens de um tio trouxe à tona a necessidade de uma revisão mais abrangente das leis de sucessão no Brasil.
Em seu parecer, a relatora da proposta, Laura Carneiro (PSD-RJ), enfatizou a importância da mudança. Ela argumentou que a legislação vigente pode gerar uma “situação gravemente atentatória à moralidade, à solidariedade familiar e à boa-fé que deve reger as relações familiares”. A parlamentar defende que a proposta corrige falhas do Código Civil, impedindo que criminosos se beneficiem financeiramente de seus atos ilícitos contra a própria família.
A relatora manteve a ampliação do instituto da indignidade, mas com ressalvas. Laura Carneiro rejeitou sugestões que poderiam levar à exclusão de herdeiros em cenários sem relação direta com o crime familiar, buscando evitar punições desproporcionais que desvirtuassem o direito sucessório.
Próximos Passos e o Caminho do Projeto no Congresso
A aprovação na CCJ representa um avanço crucial, mas o Projeto de Lei 23/2026 ainda tem um caminho a percorrer antes de se tornar lei. Após a etapa na Comissão, a proposta pode seguir diferentes rumos dentro do processo legislativo.
Caso haja um recurso, o projeto será submetido à discussão e votação no plenário da Câmara dos Deputados. Se não houver recurso, ele seguirá diretamente para análise do Senado Federal. Ambas as etapas são fundamentais para a consolidação da proposta, que busca fortalecer os princípios éticos e morais que devem reger o direito de herança no país, garantindo que a justiça prevaleça sobre a impunidade em casos de crimes familiares graves.
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