terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

Idosa enfrenta máquinas em ato de resistência contra desapropriação em Goiás

Um vídeo que circula nas redes sociais capturou um momento de tensão no sudeste de Goiás, onde a produtora rural Maria da Paz, de 78 anos, ajoelhou-se diante de máquinas pesadas. O protesto ocorreu na última sexta-feira, 29, como uma tentativa desesperada de impedir o avanço de equipamentos em sua propriedade particular.

A situação está diretamente ligada às obras de duplicação da rodovia GO-330, que conecta os municípios de Catalão e Ipameri. A ação de resistência da idosa, que vive no local há cinco décadas, tornou-se o centro de um debate sobre os impactos de projetos de infraestrutura na vida de pequenos produtores rurais.

Contexto jurídico e a posição do Estado

A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) esclareceu que a presença do maquinário no terreno foi motivada pelo cumprimento de uma ordem judicial. O órgão estatal sustenta que o processo de desapropriação segue os trâmites legais necessários para a continuidade da obra pública na região.

Para mitigar os danos causados pela intervenção, a Goinfra informou que realizou o depósito judicial de R$ 550 mil, valor destinado à indenização pela área afetada. A agência reforçou, em nota, que a residência da proprietária não está incluída no perímetro de desapropriação e, portanto, não será demolida.

A rotina de uma vida no campo

Para Maria da Paz, a propriedade representa muito mais do que um ativo financeiro ou uma área de passagem para rodovias. Ao longo dos últimos 50 anos, o terreno serviu como base para sua subsistência, abrigando a criação de gado e uma tradicional produção de queijo, atividade que sustenta sua rotina e identidade.

Em relatos concedidos à imprensa, a produtora expressou profundo abalo emocional diante da iminência da perda de parte de sua terra. A cena da idosa diante das máquinas simboliza o conflito entre o progresso da infraestrutura regional e a preservação do modo de vida rural tradicional.

Repercussão e desdobramentos

O caso ganhou visibilidade nacional após o registro em vídeo ser compartilhado por perfis de notícias, como o de Victor da Matta. A exposição pública do episódio trouxe à tona discussões sobre a transparência e a sensibilidade dos órgãos públicos ao lidar com desapropriações de longa data.

Enquanto as obras de duplicação da GO-330 avançam, a situação permanece sob observação. O caso ilustra a complexidade das desapropriações, onde a necessidade de expansão logística da malha viária estadual colide diretamente com o direito à propriedade e a história de vida de cidadãos locais.

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