terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Prévia da inflação oficial atinge 0,62% em maio sob pressão de alimentos e energia

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou uma variação de 0,62% no mês de maio de 2026. Os dados, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, 27, apontam uma desaceleração em relação ao mês de abril, quando a taxa havia atingido 0,89%.

inflação: cenário e impactos

Apesar da redução no ritmo mensal, o indicador acumula uma alta de 3,02% no ano. No acumulado dos últimos 12 meses, o avanço chegou a 4,64%, superando os 4,37% observados no período imediatamente anterior. O resultado reflete, principalmente, o peso dos grupos de alimentação e habitação no orçamento das famílias brasileiras.

Alimentos e bebidas lideram a pressão sobre o índice

O grupo de Alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo impacto no índice geral em maio, apresentando uma alta de 1,38%. Dentro deste segmento, os alimentos para consumo no domicílio subiram 1,73%, com destaque para itens básicos da cesta de consumo. A batata-inglesa registrou um salto expressivo de 26,29%, seguida pelo tomate, com alta de 12,97%, e pelo leite longa vida, que subiu 6,07%.

Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter uma alta ainda maior no setor. A maçã teve queda de 2,32% e o café moído recuou 2,09%. No que diz respeito à alimentação fora de casa, houve uma desaceleração, passando de 0,70% em abril para 0,51% em maio, indicando um alívio pontual para o consumidor que utiliza serviços de restaurantes e lanchonetes.

Impacto da energia elétrica e custos habitacionais

O setor de Habitação registrou avanço de 1,03%, impulsionado majoritariamente pela conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 2,16%, gerando o maior impacto individual do mês no IPCA-15. Esse movimento foi influenciado pela vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona um custo extra de R$ 1,80 a cada 100 kWh consumidos.

Além da bandeira tarifária, o IBGE reportou reajustes nas tarifas de energia em cidades como Fortaleza, Salvador e Recife. Outros serviços públicos também apresentaram variações, como a taxa de água e esgoto em Goiânia (0,13%) e o gás encanado no Rio de Janeiro (0,44%), consolidando a pressão dos custos fixos sobre a renda disponível da população.

Setor de saúde e recuo nos preços dos combustíveis

O grupo de Saúde e cuidados pessoais apresentou alta de 1,05% no período. O resultado foi puxado pelo reajuste anual autorizado de até 3,81% nos medicamentos, que fez os produtos farmacêuticos subirem 1,25%. Itens de higiene pessoal (1,60%) e planos de saúde (0,5%) também contribuíram para a variação positiva do setor.

Em contrapartida, o grupo de Transportes ofereceu o principal alívio ao índice, com recuo de 0,33%. A queda foi motivada pela redução nos preços dos combustíveis (-1,47%), com destaque para o etanol (-2,73%), o óleo diesel (-2,04%) e a gasolina (-1,32%). Entretanto, as passagens aéreas voltaram a subir 3,25%, após uma queda significativa registrada no mês anterior.

Variações regionais e metodologia do levantamento

A análise regional do IBGE revelou disparidades entre as capitais brasileiras. Goiânia registrou a maior variação mensal, com 1,41%, influenciada principalmente pela alta dos combustíveis locais. Já Brasília apresentou o menor índice do país, com 0,33%, beneficiada pela redução nas tarifas de ônibus urbano e nos preços da gasolina na região federal.

O levantamento do IPCA-15 foi realizado entre os dias 16 de abril e 15 de maio, comparando os preços com o período de 18 de março a 15 de abril de 2026. A pesquisa abrange famílias com rendimento de 1 a 40 salários-mínimos em 11 regiões metropolitanas. Para mais detalhes sobre indicadores econômicos, acesse o portal oficial do IBGE.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *