terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Divulgação/ Amazonprev
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Polícia Federal amplia investigações sobre fundos de previdência no caso Master

A Polícia Federal (PF) intensificou as investigações sobre o Banco Master, focando em fundos de previdência de servidores públicos que realizaram aportes significativos na instituição financeira. As apurações, que já somam R$ 3,9 bilhões em recursos sob suspeita, abrangem fundos de quatro estados e dois municípios, revelando um complexo esquema de possíveis irregularidades e pressões políticas.

As operações da PF buscam desvendar a extensão de fraudes e o descumprimento de normas que regem os investimentos de previdência, que por sua natureza, exigem perfis de risco conservadores. O caso levanta questões sobre a governança e a integridade dos processos de investimento que impactam diretamente a aposentadoria de milhares de servidores.

Avanço das investigações no caso Master

A Polícia Federal tem como prioridade identificar se houve pressões políticas indevidas, a atuação de intermediários obscuros ou o descumprimento de critérios técnicos essenciais na aprovação dos investimentos. Outro ponto crucial é verificar se os ativos vendidos pelo Banco Master apresentavam riscos incompatíveis com o perfil conservador exigido para os fundos de previdência de servidores públicos.

A amplitude das investigações demonstra a preocupação das autoridades em proteger os recursos previdenciários, garantindo que as aplicações sejam feitas com a devida diligência e transparência. Ações policiais foram deflagradas em diversas localidades, indicando a capilaridade do suposto esquema.

Rio de Janeiro: aportes bilionários sob escrutínio

O Rio de Janeiro é um dos focos mais recentes e proeminentes da apuração. Nesta etapa, são investigadas aplicações que totalizam R$ 2,01 bilhões, realizadas a partir de julho de 2024, em fundos ligados à mesma instituição financeira. As transferências efetuadas pelo Rioprevidência, especificamente, teriam atingido a marca de aproximadamente R$ 3 bilhões.

O ex-governador Cláudio Castro foi alvo de buscas após decisão judicial que apontou uma relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do banco. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro sugerem que a liberação de grandes investimentos do Rioprevidência no Banco Master dependia de tratativas diretas com Castro, indicando um possível “alinhamento político necessário”. Os investigadores relatam que Castro e Vorcaro mantinham uma “ligação pessoal estreita”, com reuniões frequentes, inclusive em viagens internacionais financiadas pelo banqueiro, coincidindo com os vultosos aportes.

Amazonas e Amapá: previdência estadual na mira da PF

No Amazonas, a Polícia Federal examina possíveis irregularidades em aplicações de R$ 390 milhões realizadas pela Amazonprev, responsável pela previdência dos servidores públicos civis estaduais. Em março, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, investigando a aplicação de recursos em letras financeiras de bancos privados, supostamente em desacordo com normas federais e diretrizes de governança. Foram identificadas movimentações financeiras atípicas e indícios de falhas em procedimentos internos.

Em fevereiro, outra operação mirou a Amapá Previdência (Amprev), após suspeitas envolvendo investimentos de cerca de R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master. Segundo a PF, Jocildo Silva Lemos, diretor-presidente do instituto e coordenador do Comitê de Investimentos, teve papel decisivo nessas operações. Lemos foi indicado ao cargo por Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que na ocasião da ação policial, declarou que “tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”.

Municípios paulistas: Cajamar e Santo Antônio da Posse investigados

No começo de maio, a Polícia Federal deflagrou a operação Off-Balance para apurar suspeitas de irregularidades em aplicações do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, na Grande São Paulo. Estão sob análise aportes de R$ 107 milhões em letras financeiras do Banco Master e do Banco Daycoval. Cajamar iniciou os investimentos ainda em 2023, antes de o banco cumprir todos os requisitos legais para receber recursos do regime próprio de previdência.

O instituto de Cajamar deliberou, em outubro de 2023, a compra de até R$ 35 milhões em letras financeiras do Master e, em dezembro, aprovou novo aporte de até R$ 25 milhões, remanejando recursos antes mantidos em fundos da Caixa Econômica Federal. Em março de 2024, um novo investimento de R$ 27 milhões foi realizado. Outro município, Santo Antônio da Posse, na região de Campinas, também investiu R$ 13 milhões no banco, e a PF investiga suspeita de gestão inadequada dos recursos. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde março, o que adiciona uma camada de complexidade e urgência às investigações em curso.

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