O líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, negou qualquer tipo de relação com a influenciadora digital Deolane Bezerra. A declaração foi transmitida por meio de sua defesa técnica após uma visita realizada na Penitenciária Federal em Brasília, onde o detento cumpre pena sob regime de segurança máxima.
A manifestação ocorre no contexto da Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que envolveria membros da cúpula da organização criminosa e figuras públicas, levantando suspeitas sobre movimentações financeiras atípicas e o uso de empresas de fachada para ocultar recursos ilícitos.
Defesa de Marcola contesta vínculos com investigados da Operação Vérnix
O advogado Bruno Ferullo visitou Marcola na tarde de segunda-feira, 25 de maio de 2026, para informar o cliente sobre o andamento das investigações que citam seu nome e o de seus familiares. Durante o encontro, que durou cerca de uma hora, o detento teria demonstrado surpresa ao ser questionado sobre sua suposta ligação com Deolane Bezerra e outro investigado identificado como Everton.
Segundo o defensor, Marcola afirmou categoricamente desconhecer as pessoas citadas no inquérito policial, com exceção de seus parentes diretos. O preso reconheceu apenas o vínculo familiar com seus sobrinhos, Leonardo e Paloma, e com seu irmão, Alejandro, mas negou que qualquer relação pessoal implique em participação em atividades criminosas coordenadas com os demais alvos da operação.
A defesa ressaltou que, devido ao isolamento rigoroso imposto pelo sistema penitenciário federal, o detento não possui acesso a meios de comunicação ou noticiários. Essa condição, segundo Ferullo, reforça a tese de que seu cliente está alheio aos fatos recentes investigados pelas autoridades paulistas e que sua inclusão no caso seria baseada em interpretações equivocadas de dados colhidos pela polícia.
Negativa de propriedade e refutação de apelido atribuído pela polícia
Além de negar o conhecimento sobre os investigados, Marcola refutou pontos específicos do inquérito que o ligam à estrutura logística da facção. Um dos pilares da Operação Vérnix é a suspeita de que o PCC utilizaria uma transportadora sediada em São Paulo para operacionalizar a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
O detento negou ser o proprietário, de forma direta ou indireta, da referida empresa de transportes. A investigação aponta que esta companhia seria responsável por realizar repasses mensais de valores para Deolane Bezerra, o que configuraria o crime de lavagem de capitais. A defesa sustenta que não há provas materiais que vinculem o patrimônio de Marcola a essa entidade jurídica.
Outro ponto de discordância manifestado pelo preso diz respeito à sua identificação nos relatórios policiais. Marcola negou utilizar o apelido de Narigudo, alcunha que os investigadores atribuem a ele em diálogos interceptados. A estratégia da defesa é desqualificar as evidências baseadas em codinomes, alegando que a polícia pode estar atribuindo ações de terceiros ao seu cliente de forma indevida.
Investigação aponta repasses financeiros e lavagem de dinheiro
A Operação Vérnix fundamenta suas acusações em um robusto conjunto de provas obtidas por meio de quebras de sigilo bancário e interceptações de mensagens em aparelhos celulares. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, os extratos bancários revelam um fluxo constante de capital entre a transportadora investigada e as contas vinculadas à influenciadora digital.
As autoridades acreditam que o esquema funcionava da seguinte forma:
- Utilização de empresas de transporte para dar aparência lícita ao dinheiro do crime.
- Realização de transferências fracionadas para evitar alertas dos órgãos de controle.
- Pagamento de serviços fictícios ou superfaturados a pessoas de visibilidade mediática.
- Ocultação da origem dos recursos através de múltiplas camadas de transações.
A polícia afirma que as conversas recuperadas de dispositivos móveis corroboram a tese de que a influenciadora recebia valores ciente de sua procedência duvidosa. Deolane Bezerra, que já foi presa anteriormente sob acusações semelhantes, nega qualquer irregularidade e afirma que seus rendimentos são provenientes de contratos publicitários e de sua atuação como advogada e empresária.
Isolamento em regime de segurança máxima e rotina prisional
Atualmente, Marcola permanece detido em uma das unidades mais seguras do país, onde a rotina é marcada por restrições severas. O banho de sol é regrado e monitorado, e o contato com o mundo exterior é limitado a visitas de advogados e familiares através de parlatórios, sem contato físico. Esse ambiente é projetado justamente para impedir que líderes de facções continuem comandando operações criminosas de dentro do sistema.
A indignação manifestada pelo detento, segundo seu advogado, reflete uma tentativa de desvincular sua imagem de novos escândalos que possam agravar sua situação jurídica. Com uma extensa ficha criminal e condenações que somam centenas de anos, qualquer novo indiciamento pode dificultar eventuais pedidos de progressão de regime ou transferências futuras.
O caso segue em segredo de justiça em determinadas instâncias, enquanto a Polícia Civil continua a analisar o material apreendido durante as buscas. O desfecho da Operação Vérnix poderá redefinir o entendimento sobre como o crime organizado utiliza a imagem de celebridades para movimentar recursos no sistema financeiro nacional, desafiando as estratégias de fiscalização do Estado.
Lado Direito