Investigação aponta elo entre empresa de ônibus, Deolane e família de Marcola
A empresa de transporte coletivo Transunião, que opera na zona leste da capital paulista, tornou-se o epicentro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo. A companhia, detentora de uma frota de 467 veículos, é alvo da Operação Vérnix, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), sob suspeitas de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A denúncia aponta que a influenciadora e advogada Deolane Bezerra e familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, teriam mantido relações financeiras com a empresa. O caso levanta questionamentos sobre a possível utilização de concessionárias de transporte público para a lavagem de dinheiro e o fortalecimento de facções criminosas na estrutura urbana.
Repasses financeiros e a suspeita de lavagem de dinheiro
Conforme os promotores do Gaeco, análises financeiras detalhadas identificaram transferências de recursos da Transunião para Leonardo Camacho, sobrinho de Marcola. A investigação aponta que parte da movimentação financeira realizada pelo investigado originou-se diretamente dos cofres da empresa de ônibus.
Para o Ministério Público, a ausência de uma justificativa comercial plausível para essas transações reforça a tese de que a companhia servia como fachada para atividades ilícitas. O caso segue sob análise rigorosa das autoridades, que buscam rastrear o destino final dos valores e a natureza dos vínculos estabelecidos entre os envolvidos.
Histórico de investigações no setor de transporte
A Transunião não é estranha ao radar das autoridades policiais. A empresa já foi citada em apurações anteriores conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O histórico da companhia inclui conexões com o antigo sistema de cooperativas, que, segundo a denúncia, teria sido instrumentalizado pelo crime organizado para expandir sua influência no setor.
Em operações como a Fim da Linha e a Mafiusi, investigadores detectaram movimentações financeiras entre empresas de transporte e núcleos ligados ao chamado Concierge do PCC, representado por William Barile Agati. Estima-se que as transações sob suspeita tenham atingido a marca de 10 milhões de reais, evidenciando uma possível rede de cooperação entre o crime e o transporte coletivo urbano.
Controvérsias e posicionamento das defesas
Além das suspeitas financeiras, a empresa esteve envolvida em episódios violentos, como o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-dirigente da companhia, ocorrido em 2020. Relatórios policiais levantaram a hipótese de que disputas internas pelo controle de recursos e pela influência da facção criminosa dentro da estrutura da empresa teriam sido o estopim para o crime.
Em nota, os advogados de Deolane Bezerra negam categoricamente que ela integre qualquer organização criminosa. Da mesma forma, a defesa dos familiares de Marcola contesta as acusações, classificando-as como improcedentes. A Transunião, por sua vez, não se manifestou sobre as novas denúncias, embora tenha reiterado em ocasiões passadas que colabora com as autoridades e mantém mecanismos de compliance.
Para mais detalhes sobre o desdobramento das investigações, consulte a fonte original em Revista Oeste.
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