Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) no aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro colocaram o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no centro de novas apurações. Os diálogos, obtidos no curso da Operação Compliance Zero, sugerem a existência de interlocuções sobre o envio de informações estratégicas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à base governista.
Conexões e bastidores da Operação Compliance Zero
O material apreendido pelos investigadores detalha uma troca de mensagens ocorrida em 17 de julho de 2024 entre Daniel Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master. No contexto da conversa, os interlocutores discutiam a imagem da instituição financeira perante o governo federal, comparando-a a outros grupos econômicos.
Ao sugerir o compartilhamento de dados, Vorcaro afirmou que a associação com o governo seria benéfica para o marketing do banco. Em resposta, Mascarenhas Filho mencionou o envio direto de informações ao senador Jaques Wagner e ao publicitário Guilherme Sodré Martins, conhecido como Guiga, reforçando a tese de proximidade entre os envolvidos e figuras influentes da política baiana.
Investigações sobre vantagens indevidas e influência parlamentar
A Polícia Federal aponta que a relação entre o banqueiro e o parlamentar transcendia o contato casual. Segundo os investigadores, Jaques Wagner mantinha interlocução direta com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, para tratar de pautas legislativas de interesse do Banco Master, incluindo a ampliação do crédito consignado e negociações envolvendo o BRB.
Na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho de 2026, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador. A investigação detalha suspeitas de pagamentos de cerca de R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada à família do parlamentar, além da aquisição de um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Defesa nega vínculos e intermediações
Em nota oficial, o senador Jaques Wagner refutou categoricamente qualquer tipo de ligação com Daniel Vorcaro. O parlamentar declarou que não pode ser responsabilizado por conversas realizadas por terceiros e afirmou que não houve qualquer intermediação ou relação estabelecida entre as partes citadas no inquérito.
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