quinta-feira , 18 junho 2026
Foto: Vitor Brugger/AM Press/Estadão Conteúdo
Foto: Vitor Brugger/AM Press/Estadão Conteúdo

Jairinho se defende em julgamento e nega tortura e agressões a Henry Borel

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, prestou depoimento crucial nesta terça-feira no Tribunal do Júri, em um caso de grande repercussão nacional. Ele admitiu ter praticado as chamadas “bandas” com Henry Borel, de 4 anos, falecido em março de 2021, mas refutou categoricamente as acusações de agressão e tortura contra o menino. Durante o interrogatório, Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo, retirou-se do plenário.

O depoimento de Jairinho ocorreu no nono dia do julgamento, marcando um momento central na busca por esclarecimentos sobre a morte da criança. A defesa do ex-vereador buscou apresentar sua versão dos fatos, enquanto a acusação mantém a tese de violência.

Jairinho: a versão sobre as “bandas” e a defesa

Durante sua fala, Jairinho respondeu exclusivamente às perguntas de seus advogados, detalhando a prática das “bandas”. Ele descreveu a ação como uma brincadeira familiar, na qual “se segura a criança e passa a perna por baixo”. O ex-vereador enfatizou que a mãe de Henry, Monique, e os pais dela já haviam presenciado essa interação, indicando que não era uma atividade secreta.

Apesar de admitir a brincadeira, Jairinho negou veementemente qualquer intenção de causar dano. Ele expressou profunda tristeza pela perda de Henry, afirmando que a coisa que mais desejava no mundo era que o menino estivesse vivo. Com lágrimas, ele questionou a lógica das acusações, declarando-se indignado com a ideia de torturar uma criança.

Contestação às acusações de violência e o papel do Ministério Público

O ex-vereador também aproveitou o depoimento para contestar os relatos de violência apresentados por ex-companheiras, como Natasha Machado e Débora Mello Saraiva. Ele afirmou que todas as alegações de agressão contra os filhos delas ou contra as próprias mulheres eram “especulação”, negando ter sequer “dado um peteleco” em qualquer uma delas ou em Monique.

Jairinho criticou a denúncia do Ministério Público, que o acusa de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A denúncia sustenta que Henry morreu em 8 de março de 2021 em decorrência de agressões sofridas no apartamento do casal. O réu defendeu sua inocência, alegando estar há cinco anos respondendo por algo que não cometeu e que sua vida foi “destruída por uma coisa que foi criada”.

Relatos de ex-companheiras e o apelo ao júri

Em seu depoimento, Jairinho abordou um boletim de ocorrência registrado por sua ex-mulher, Ana Carolina. Ele reconheceu que houve uma discussão intensa motivada por traição, mas negou qualquer violência física no episódio. O ex-vereador mencionou que um de seus maiores arrependimentos foi não ter permanecido casado com Ana Carolina e que, segundo ele, a ex-companheira teria retirado a queixa posteriormente.

Ao final de seu interrogatório, Jairinho dirigiu um apelo direto ao Conselho de Sentença. Ele expressou confiança de que os jurados teriam acesso a novas provas capazes de “mudar completamente o processo” e que a verdade prevaleceria. O réu depositou sua esperança na decisão do júri, buscando a absolvição das graves acusações.

Fase final do julgamento: debates e decisão

O interrogatório de Jairinho marcou o encerramento da fase de instrução do processo. Com isso, a acusação e a defesa se preparam para iniciar os debates finais nesta quarta-feira. Devido à presença de dois réus no caso, o tempo destinado às sustentações orais será ampliado, permitindo que ambas as partes apresentem seus argumentos de forma mais detalhada.

O rito processual prevê ainda fases de réplica e tréplica, garantindo o contraditório. Ao final de todas as argumentações, os sete jurados do Conselho de Sentença terão a responsabilidade de decidir sobre a autoria e a materialidade dos crimes por maioria dos votos. Após a deliberação do júri, a juíza Elizabeth Machado Louro será responsável por ler a sentença final do caso.

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