O presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu ao declarar, nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, sua intenção de reivindicar a redução da própria jornada de trabalho. A afirmação foi feita durante a inauguração da nova sede do campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão, Goiás, e rapidamente repercutiu no cenário político. A fala do presidente se insere em um contexto de debate nacional sobre as horas de trabalho e foi acompanhada por críticas contundentes à oposição, especialmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos.
A declaração de Lula ocorre poucos dias após a Câmara dos Deputados aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a escala de trabalho de 6×1 para 5×2, além de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas. O presidente utilizou o tema para contextualizar sua própria rotina, que, segundo ele, é ainda mais exaustiva do que a escala em discussão no Congresso.
Jornada de trabalho do presidente: um ritmo intenso e a busca por redução
Ao abordar sua agenda de compromissos, o presidente Lula fez uma comparação direta com o debate sobre o fim da escala 6×1, que tem sido pauta de discussões no país. Ele argumentou que seu ritmo de trabalho é consideravelmente mais intenso, descrevendo-o como uma escala de “10×1”.
“Eu estou brigando pelo fim da escala 6×1, mas o pessoal quer que eu trabalhe 10×1, porra”, afirmou o presidente durante seu discurso. Em seguida, ele manifestou claramente sua intenção: “Vou reivindicar a redução da minha jornada“. A fala ressalta a percepção do presidente sobre a exigência de seu cargo e a necessidade de um equilíbrio.
Contexto legislativo: a PEC da redução da jornada semanal
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força com a recente aprovação da PEC na Câmara dos Deputados. Esta proposta estabelece a transição da escala de 6×1 para 5×2, garantindo dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos domingos, e a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas.
A implementação da redução da jornada não será imediata. Sessenta dias após a promulgação da emenda, a jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais. A redução final para 40 horas entrará em vigor 14 meses após a publicação da proposta. O direito a dois dias de descanso semanais começará a valer logo após o prazo inicial de 60 dias da promulgação. Para mais detalhes sobre o andamento legislativo, consulte o site da Câmara dos Deputados: Câmara dos Deputados.
Ataques à oposição: críticas a Bolsonaro e repercussões políticas
Durante o mesmo evento em Catalão, Lula não poupou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizando a questão da rotina de trabalho como um ponto de comparação. “Vou fazer que nem o Bolsonaro, trabalhar 1 e ficar 4 vadiando”, declarou, em uma clara provocação ao seu antecessor.
As críticas se estenderam à família Bolsonaro, especialmente aos filhos do ex-presidente, a quem Lula chamou de “traidores” ao comentar as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O presidente chegou a fazer uma analogia histórica, afirmando que, por menos, Tiradentes foi enforcado, o que elevou o tom da retórica política.
A declaração provocou uma reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou sua intenção de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Lula ainda nesta terça-feira. Segundo o parlamentar, as falas do presidente configuram crimes de ameaça e incitação ao crime, prometendo desdobramentos jurídicos para o embate político.
Lado Direito