terça-feira , 2 junho 2026
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Audiência pública de discussão da PEC do Fim da Escala 6x1 na comissão especial | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Jornada de trabalho 6×1: governo e congresso buscam consenso sobre a PEC

O futuro da jornada de trabalho no Brasil está em fase de definição crucial, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, à frente das discussões finais sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa pôr fim à escala de trabalho 6×1. A pauta central da reunião, agendada para esta segunda-feira, 25, no Palácio do Planalto, é o cronograma de transição para a implementação de uma jornada semanal de 40 horas, com a garantia de dois dias de folga para os trabalhadores.

A proposta, que entra na última semana do calendário previsto pela Câmara dos Deputados, ainda não possui um relatório concluído. A expectativa é que o parecer da comissão especial seja lido às 17h desta segunda-feira, possibilitando sua votação na mesma reunião. A análise em plenário está programada para a quinta-feira, 28, marcando um momento decisivo para a legislação trabalhista no país.

Discussões Finais sobre a Jornada Semanal de Trabalho

As negociações em torno da PEC da jornada de trabalho 6×1 atingem seu ápice, com a busca por um consenso entre o Poder Executivo e o Legislativo. O relator da PEC, Leo Prates, deve apresentar seu parecer a Hugo Motta antes que o texto seja submetido à avaliação do presidente Lula e do ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

O principal ponto de divergência reside na forma e no tempo de implementação da redução da jornada. Enquanto o governo pressiona por celeridade, parlamentares buscam um período de adaptação que contemple as necessidades das empresas e do mercado de trabalho.

Impasse na Transição para a Nova Jornada

Deputados têm articulado um período de adaptação de até três anos para que as empresas possam se ajustar à redução das atuais 44 horas semanais para 40 horas. A proposta em discussão prevê uma diminuição gradual da jornada: uma hora ainda neste ano, seguida por duas horas em 2027 e mais uma hora em 2028.

O presidente Lula, contudo, tem manifestado forte oposição a uma transição prolongada. Em entrevista, ele criticou a ideia de um período de quatro anos para reduções mínimas, defendendo mudanças mais rápidas e significativas. O presidente indicou sua disposição para enfrentar parlamentares que se opõem a uma implementação ágil, ressaltando a importância de mostrar à população os posicionamentos de cada ator político.

Divergências Parlamentares e o Papel do Relator

A estratégia do governo tem gerado desconforto no Congresso. O relator Leo Prates relatou divergências com o deputado Guilherme Boulos, que sugeriu retirar da PEC as regras de transição, deixando o tema para futura regulamentação por projeto de lei. Prates, no entanto, recusou a proposta, argumentando que não faria tal alteração.

O deputado expressou preocupação com o desgaste político que o Congresso poderia sofrer caso aprovasse apenas o princípio do fim da escala 6×1 sem definir claramente a transição. Ele enfatizou a necessidade de o Congresso ser reconhecido por um trabalho que preserve o país, e não como um “inimigo do povo”.

Detalhes da Proposta da PEC 6×1

Além da redução da jornada semanal, o texto da PEC em discussão inclui outras importantes previsões. Uma delas é a proibição expressa de redução salarial para os trabalhadores, com a imposição de punições para empregadores que descumprirem essa regra. A proposta também visa fortalecer as convenções coletivas, permitindo negociações específicas para modelos de trabalho como as escalas 12×36 e 4×3.

Outro ponto relevante do parecer estabelece que trabalhadores com carteira assinada que recebam até dois tetos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — valor que se aproxima de R$ 16,9 mil — poderão ser excluídos das limitações de jornada e escala, com a ressalva de que essa exceção não se aplica ao funcionalismo público. A definição sobre a distribuição das folgas e o teto de 40 horas semanais poderá ser estabelecida por média mensal ou por meio de convenção coletiva, garantindo flexibilidade e adaptabilidade às diferentes realidades do mercado. Para mais informações sobre as políticas trabalhistas, consulte o Ministério do Trabalho e Emprego.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *