domingo , 14 junho 2026
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Rio de Janeiro aplicou cerca de R$ 3 bilhões em empresas de Vorcaro; recursos vieram da Cedae e do Rioprevidência | Foto: Divulgação/Governo do RJ

Ex-governador Cláudio Castro tem celular desbloqueado pela PF em caso Banco Master

A Polícia Federal (PF) alcançou um avanço significativo na investigação que apura investimentos bilionários do governo fluminense em fundos vinculados ao Banco Master. A corporação conseguiu desbloquear o celular que era de uso cotidiano do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o conteúdo armazenado no aparelho agora está sob análise dos investigadores.

Este desenvolvimento é crucial para o inquérito, que busca esclarecer a destinação de aproximadamente R$ 3 bilhões em recursos públicos. A obtenção do acesso ao dispositivo móvel, que antes estava protegido por senha e cuja liberação foi recusada por Castro, representa um passo importante na coleta de evidências digitais.

O Acesso ao Dispositivo e a Recusa da Senha

Durante uma operação realizada em maio, a Polícia Federal apreendeu três celulares na residência do ex-governador. Um desses aparelhos, considerado de uso frequente por Cláudio Castro, permaneceu inacessível por estar protegido por uma senha que o ex-governador optou por não fornecer aos investigadores, conforme informações divulgadas pela coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.

O desbloqueio bem-sucedido do dispositivo permite agora que a PF examine comunicações, documentos e outros dados que podem ser relevantes para a apuração. A análise do conteúdo do celular é uma etapa fundamental para mapear possíveis conexões e entender o fluxo de informações entre os envolvidos na investigação.

A Investigação dos Aportes Bilionários

O foco central da investigação da Polícia Federal reside na aplicação de cerca de R$ 3 bilhões em empresas associadas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os recursos públicos que formaram esses investimentos tiveram origem em duas importantes instituições do Estado do Rio de Janeiro: a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e o Rioprevidência.

O Rioprevidência, em particular, é o fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a mais de 230 mil beneficiários no Estado, o que confere uma gravidade adicional à apuração sobre a gestão desses valores. A destinação de tais montantes para fundos ligados a uma única instituição financeira levanta questões sobre a conformidade dos processos e a transparência das decisões.

Padrões de Irregularidade e Encontros Suspeitos

A Polícia Federal identificou um padrão de encontros e trocas de mensagens entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro que precederam os investimentos do Rioprevidência na instituição financeira. Os investigadores descrevem as operações como um “almanaque de irregularidades”, sugerindo uma série de ações que fogem aos padrões de conduta esperados em transações envolvendo fundos públicos.

Entre os episódios destacados no inquérito, está um convite de Vorcaro a Castro para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York, em maio de 2024. O evento, que teria reunido apenas dez convidados, teve um custo reportado de US$ 1,013 milhão, equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual. No dia seguinte a esse encontro, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, seguido por novos investimentos de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões.

Outro evento sob escrutínio é um jantar entre os dois em Nova York, em maio de 2023, cuja conta, superior a US$ 13 mil, teria sido paga pelo ex-banqueiro. Cerca de seis meses após esse jantar, o Rioprevidência efetuou seu primeiro investimento no Master, no valor de R$ 40 milhões, com um novo aporte superior a R$ 80 milhões dias depois. Esses eventos e a cronologia dos aportes são elementos-chave na narrativa da PF sobre a relação entre os envolvidos e as operações financeiras.

As Reações e o Andamento do Inquérito

Diante das acusações, a defesa de Cláudio Castro manifestou que não houve qualquer “relação pessoal indevida” entre o ex-governador e Daniel Vorcaro. Por sua vez, o Banco Master afirmou que todas as operações financeiras foram conduzidas em estrita observância aos critérios técnicos e legais aplicáveis. Ambas as partes negam irregularidades, enquanto a investigação prossegue para apurar os fatos.

O desbloqueio do celular de Cláudio Castro adiciona uma nova camada de complexidade e potencial de prova ao inquérito. A análise do material digital pode fornecer informações adicionais que ajudarão a Polícia Federal a consolidar suas conclusões sobre a legalidade e a motivação por trás dos investimentos públicos no Banco Master. O caso continua em andamento, com a expectativa de novos desdobramentos à medida que as evidências são processadas e analisadas pelas autoridades competentes. Para mais informações sobre investigações financeiras no Brasil, consulte fontes confiáveis de notícias econômicas.

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