A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira, 29, as investigações da Operação Vérnix, resultando no indiciamento da influenciadora Deolane Bezerra e de Marco Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao todo, sete pessoas foram formalmente acusadas por crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, encerrando uma fase crucial do inquérito que apura o fluxo financeiro de uma facção criminosa paulista.
Estrutura da rede e o papel da transportadora
O relatório final da investigação detalha como a estrutura criminosa operava através de uma transportadora utilizada como fachada. Segundo a polícia, o comando do esquema era exercido por Marcola e seu irmão, Alejandro Herbas Camacho, ambos detidos em presídios federais. A administração dos recursos e a transmissão de ordens ficavam a cargo de familiares e operadores de confiança do grupo.
O suporte logístico para a ocultação de valores contava com a participação de um contador, responsável pela abertura de empresas fantasmas. A movimentação financeira era mascarada para permitir que o dinheiro ilícito circulasse dentro do sistema bancário formal, dificultando o rastreamento pelas autoridades de controle fiscal e financeiro.
Conexão entre Deolane Bezerra e o esquema financeiro
A participação de Deolane Bezerra no esquema foi identificada a partir do rastreamento de Everton de Souza, conhecido como Player. O operador, que atuava na gestão de bens da cúpula da facção, realizava depósitos bancários diretamente na conta da influenciadora. Os investigadores apontam que essas transações eram integradas ao balancete mensal da quadrilha.
Peritos identificaram depósitos diretos que totalizam R$ 24,5 mil nas faturas da advogada. Além disso, a quebra de sigilo bancário revelou a entrada de R$ 1 milhão em espécie, sem origem declarada, entre 2018 e 2021. A defesa de Deolane Bezerra contesta as acusações, sustentando que os valores são frutos de honorários advocatícios prestados a clientes.
Origens da investigação e desdobramentos judiciais
O caso teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que mencionavam uma mulher encarregada de levantar endereços de autoridades para possíveis atentados. A investigação avançou em 2021 com a Operação Lado a Lado, que localizou a transportadora e revelou um crescimento patrimonial incompatível com a atividade declarada da empresa.
O material apreendido, incluindo celulares com comprovantes bancários, consolidou as provas apresentadas ao Poder Judiciário. Atualmente, a Justiça analisa pedidos de bloqueio de bens, sequestro de veículos de luxo e custódia de joias. As informações coletadas também foram compartilhadas com a Polícia Federal para a apuração de eventuais crimes fiscais conexos. Para mais detalhes sobre o combate ao crime organizado, acompanhe as atualizações em Revista Oeste.
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