
Intervenção direta no conteúdo editorial
A produção do longa-metragem Dark Horse, que narra a trajetória política de Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de uma operação de controle de danos nos bastidores da mídia. Documentos e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, principal financiador da obra, exigiu a remoção de uma reportagem publicada pelo Portal Leo Dias em 1º de agosto de 2025.
O texto, que antecipava detalhes inéditos sobre a produção cinematográfica, foi retirado do ar cerca de uma hora após a reclamação feita pelo banqueiro ao empresário Thiago Miranda, sócio do portal. A troca de mensagens evidencia não apenas o papel de Vorcaro como investidor, mas também seu esforço ativo para monitorar e restringir a circulação de informações sobre o projeto na imprensa.
A articulação entre financiador e portal
No dia da publicação, Daniel Vorcaro manifestou irritação imediata ao notar a divulgação do filme. Em conversa via WhatsApp, o banqueiro questionou a decisão editorial do veículo, classificando a exposição como prejudicial aos interesses do grupo envolvido. Thiago Miranda, que também atuou na intermediação de repasses financeiros para o longa, prontamente concordou com a crítica.
O sócio do Portal Leo Dias justificou o ocorrido como uma falha interna, afirmando que o vazamento teria ocorrido durante o início das gravações e testes de elenco. Ao atender ao pedido de remoção, Miranda assegurou ao banqueiro que o conteúdo seria deletado e mencionou contatos com figuras políticas, incluindo Mario Frias e Flávio Bolsonaro, para alinhar a estratégia de comunicação em torno do filme.
O conteúdo da matéria retirada do ar
A reportagem original, intitulada “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”, trazia detalhes sobre a sinopse e a equipe técnica contratada. O texto mencionava o diretor Cyrus Nowrasteh e o produtor Michael Davis, além de apontar a busca por atores para interpretar membros da família do ex-presidente, como Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro.
Embora o portal tenha removido a publicação, o conteúdo foi preservado por meio de ferramentas de arquivamento digital, permitindo que outros veículos de comunicação repercutissem a existência do projeto. A tentativa de censura prévia não impediu que o tema ganhasse tração no segundo semestre de 2025, tornando-se objeto de investigações jornalísticas sobre o financiamento e a produção do longa-metragem.
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