sábado , 13 junho 2026
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Projeto de lei veta perdão judicial para condenados por crimes contra crianças

O deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE) protocolou na Câmara dos Deputados uma proposta legislativa que visa impedir a concessão de qualquer forma de clemência penal para autores de crimes cometidos contra crianças. O texto busca eliminar brechas jurídicas que permitem o perdão judicial, indulto, anistia ou graça em casos que envolvam vítimas menores de 12 anos.

A iniciativa surge como uma resposta direta a decisões judiciais recentes que geraram amplo debate público, notadamente após o desfecho do caso Henry Borel. O parlamentar argumenta que a proteção integral à infância deve prevalecer sobre mecanismos que possam resultar na extinção da punibilidade de agressores, independentemente da natureza dolosa ou culposa do delito.

Impacto nas normas penais e proteção infantil

A proposta de Rodrigo Valadares propõe alterações profundas no Código Penal, na Lei dos Crimes Hediondos e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo central é assegurar que crimes contra menores sejam tratados com maior rigor, retirando-os do alcance de institutos de clemência estatal.

Segundo o texto, a vedação será aplicada de forma abrangente, alcançando crimes consumados ou tentados. A medida visa garantir que a punição seja efetiva e proporcional à vulnerabilidade das vítimas, impedindo que institutos de perdão sejam utilizados para neutralizar a tutela penal destinada à proteção dos menores.

Fundamentação jurídica e o caso Henry Borel

A justificativa do projeto faz referência explícita ao julgamento do caso Henry Borel, realizado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O parlamentar contesta a aplicação de perdão judicial concedido a envolvidos no crime, classificando a decisão como uma falha na aplicação da lei que precisa ser corrigida pelo Legislativo.

Para o autor da proposta, o perdão judicial não deve ser invocado quando a sanção penal atinge a integridade de crianças. Ao alterar a legislação, o deputado busca restringir a discricionariedade judicial em casos de extrema gravidade, reforçando que o princípio da individualização da pena não deve ser confundido com a impunidade.

Alcance da proposta e tramitação

O projeto de lei estabelece que a proibição de benefícios como anistia, graça e indulto valerá inclusive para crimes que não estejam formalmente classificados na lista de hediondos, desde que a vítima seja menor de 12 anos. A medida busca criar um padrão de proteção mais rígido em todo o território nacional.

Ao defender a constitucionalidade da matéria, o parlamentar ressalta que a proposta preserva as regras de dosimetria e atenuantes previstas no ordenamento jurídico. O foco, segundo ele, é exclusivamente a vedação da extinção da punibilidade por meio de institutos de clemência, garantindo que a justiça seja aplicada de maneira plena em casos de violência contra a infância. Para mais informações sobre o processo legislativo, acesse o portal da Câmara dos Deputados.

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