sábado , 13 junho 2026
Foto: Reprodução/CNT
Foto: Reprodução/CNT

Rodovias públicas brasileiras apresentam falhas críticas na prevenção de acidentes graves

Um levantamento recente realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) trouxe à tona um cenário preocupante para a infraestrutura viária do país. De acordo com os dados, metade das rodovias públicas brasileiras possui baixa capacidade de evitar acidentes graves, evidenciando uma fragilidade significativa na proteção oferecida aos motoristas e passageiros que trafegam diariamente por essas vias.

O estudo, intitulado Rodovias que Perdoam e referente ao ano de 2025, aponta que cerca de 42 mil km de estradas públicas oferecem pouca segurança. A pesquisa utiliza o conceito de “Alto Índice de Perdão” para classificar as vias que possuem estruturas capazes de minimizar danos em caso de saídas de pista ou colisões, um padrão que, infelizmente, é encontrado em uma parcela muito reduzida da malha rodoviária nacional.

Desempenho desigual na infraestrutura viária

A análise da CNT revela que apenas 4,8% das rodovias públicas, o que corresponde a aproximadamente 4 mil km, atingem o patamar de Alto Índice de Perdão. Esse número representa uma queda de 1,4 ponto porcentual em comparação ao levantamento anterior, quando o índice estava em 6,2%, sinalizando um retrocesso na qualidade das condições de segurança oferecidas pelo poder público.

Em contrapartida, o cenário nas rodovias administradas pela iniciativa privada é sensivelmente distinto. Segundo o relatório, 62% dos trechos sob concessão, totalizando 18,67 mil km, foram classificados com Alto Índice de Perdão. Apenas 2,4% desses trechos, ou 718 km, receberam a avaliação de baixo desempenho, reforçando a disparidade entre a gestão pública e a privada.

Classificação técnica e riscos de fatalidade

A metodologia aplicada pela CNT não foca na contagem absoluta de acidentes, mas sim na probabilidade de que qualquer ocorrência na via resulte em lesões graves ou óbitos. A classificação geral da malha avaliada mostra que 37,5% das estradas, ou quase 43 mil km, possuem Baixo Índice de Perdão, enquanto 42,7% estão na categoria intermediária.

Fernanda Rezende, diretora-executiva da entidade, destacou que a qualidade da infraestrutura impacta diretamente a severidade dos sinistros. Embora o cenário nacional apresente uma estabilidade aparente, os dados evidenciam que os avanços são desiguais e que há uma necessidade urgente de ampliar os investimentos em segurança viária, priorizando as rodovias que permanecem sob gestão pública.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *