Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, registrou um número superior de dias em compromissos no exterior em comparação com o próprio chefe de Estado. Um levantamento detalhado, realizado pelo site Poder360 com base nas agendas oficiais da Presidência da República, aponta para uma dinâmica notável na atuação internacional de ambos.
Essa diferença de tempo fora do país tem gerado discussões sobre o papel da primeira-dama na diplomacia brasileira e a intensidade da agenda internacional do governo. Enquanto o presidente foca em estratégias geopolíticas e econômicas, Janja tem ampliado sua presença em eventos que abordam temas sociais e culturais, consolidando uma agenda própria de representação.
Balanço Detalhado das Viagens Internacionais
Os dados revelam que o presidente Lula acumulou 158 dias fora do Brasil desde o começo de sua atual gestão, um período que equivale a mais de cinco meses dedicados a compromissos internacionais. No mesmo intervalo, a primeira-dama Janja totalizou 182 dias em missões no exterior, superando o presidente em 24 dias de permanência fora do território nacional. Essa contagem abrange todas as viagens realizadas desde janeiro de 2023 até a data do levantamento.
A metodologia do estudo considerou as agendas públicas e oficiais, fornecendo uma visão clara da dedicação de ambos às pautas internacionais. A constatação sublinha a relevância crescente da primeira-dama no cenário diplomático, seja acompanhando o presidente ou em representações independentes.
A Estratégia Diplomática e a Agenda do Presidente Lula
A política externa tem sido um pilar central do terceiro mandato de Lula, com o objetivo declarado de reposicionar o Brasil no cenário global. Desde janeiro de 2023, o presidente realizou 45 viagens internacionais, participando de encontros com chefes de Estado, cúpulas multilaterais e reuniões de organismos internacionais. Esses compromissos visam ampliar parcerias comerciais e fortalecer a presença diplomática do país em diversos fóruns.
Entre os destinos visitados por Lula estão nações estratégicas como Estados Unidos, China, Japão, França, Itália, Índia, Rússia, Emirados Árabes Unidos, além de diversos países da América Latina e da África. Em muitas ocasiões, o presidente permaneceu mais de uma semana consecutiva fora do país para cumprir suas agendas, demonstrando a intensidade de sua dedicação à diplomacia. O governo afirma que essas viagens são cruciais para a estratégia de inserção internacional do Brasil.
O Papel Ampliado da Primeira-Dama em Compromissos Globais
A atuação da primeira-dama Janja no exterior tem se concentrado em temas de grande impacto social e humanitário. Seus compromissos costumam envolver pautas ligadas ao combate à fome, à defesa dos direitos das mulheres, à promoção da cultura e à inclusão social. Essas áreas refletem uma abordagem de “soft power”, complementando a diplomacia tradicional exercida pelo presidente.
Neste ano de 2026, Janja participou de quatro viagens internacionais, com agendas na Itália, França, Japão e Rússia. Em algumas dessas ocasiões, ela integrou a comitiva presidencial, atuando lado a lado com Lula. Em outras, representou o Brasil de forma autônoma, sem a presença do presidente, consolidando sua própria agenda e visibilidade internacional. No mesmo período, o presidente esteve fora do país por 20 dias.
Debates e Justificativas sobre a Atuação de Janja no Exterior
A crescente participação internacional da primeira-dama tem sido alvo de críticas por parte da oposição. Parlamentares questionam os custos associados a essas viagens e a natureza de sua representação, uma vez que Janja não ocupa um cargo formal no governo. O debate centraliza-se na legitimidade e na transparência dos gastos públicos para missões sem um mandato político explícito.
Em resposta aos questionamentos, o Palácio do Planalto sustenta que a primeira-dama exerce funções de representação institucional, tanto em eventos nacionais quanto internacionais. Essa defesa aponta para um entendimento de que o papel da primeira-dama, embora não formalmente vinculado a um ministério, é vital para a imagem e os interesses do Brasil no cenário global, especialmente em pautas sociais e culturais.
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