quinta-feira , 18 junho 2026
Foto: Reprodução/YouTube/Canal Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução/YouTube/Canal Jair Bolsonaro

Condenação de Bolsonaro: PGR pede ao STF que mantenha decisão e rejeite recurso

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se formalmente nesta terça-feira, 16, defendendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) não acolha o pedido de revisão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação de revisão está relacionada à suposta tentativa de golpe de Estado, e o ministro Nunes Marques, relator do caso, havia concedido um prazo de 20 dias para que o órgão se posicionasse.

A posição da PGR reforça a solidez da decisão judicial já proferida, indicando que a defesa do ex-presidente não apresentou argumentos inéditos ou substanciais que pudessem justificar uma reanálise da condenação definitiva. Este desenvolvimento marca mais um capítulo no processo judicial que envolve o ex-presidente.

A argumentação da Procuradoria-Geral da República

No parecer emitido, a Procuradoria-Geral da República foi categórica ao afirmar que os elementos apresentados pela defesa de Bolsonaro não são suficientes para embasar uma revisão da condenação. O documento ressalta a ausência de ineditismo nas teses levantadas, o que, segundo o órgão, não legitima a desconstrução de um pronunciamento jurisdicional já considerado definitivo.

A PGR enfatizou que não há razões relevantes para relativizar a intangibilidade da coisa julgada, princípio jurídico que confere segurança às decisões judiciais transitadas em julgado. A expectativa sobre a manifestação da PGR já havia sido antecipada, indicando a provável rejeição do pedido.

É importante notar que a revisão criminal, como instrumento jurídico, exige que todos os recursos tenham sido esgotados, condição que foi cumprida no caso de Bolsonaro em novembro do ano passado. Atualmente, o ex-presidente cumpre a pena em regime domiciliar.

Os questionamentos da defesa de Bolsonaro à condenação

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolaram o pedido de revisão criminal no STF em 8 de maio, buscando anular a pena de 27 anos e 3 meses de prisão. A defesa fundamenta seu pleito na alegação de erro judiciário e contesta a competência da Primeira Turma do STF para conduzir o julgamento do caso.

Entre os pontos levantados, a defesa solicita que o Supremo anule o processo por cerceamento de defesa, invalide a delação premiada de Mauro Cid e, consequentemente, absolva o ex-presidente. O documento da defesa argumenta que houve uma violação do juiz natural interno do próprio Supremo, o que teria instaurado um vício de incompetência orgânica absoluta, capaz de contaminar todos os atos decisórios subsequentes.

Precedentes e o posicionamento do STF em casos semelhantes

O Supremo Tribunal Federal tem recebido um total de 18 pedidos de revisão criminal relacionados aos eventos de 8 de janeiro de 2023. Desses, o plenário virtual já rejeitou três casos, e a formação de maioria para rejeitar outros dois já foi consolidada. O ministro Nunes Marques, que é o relator do caso de Bolsonaro, tem votado consistentemente com a maioria para manter as punições.

Houve, no entanto, divergências parciais em alguns desses julgamentos. Os ministros Luiz Fux e André Mendonça, por exemplo, votaram pela absolvição dos réus do crime de golpe de Estado, mas mantiveram a condenação pelo delito de deterioração de patrimônio tombado. Essa distinção demonstra a complexidade e as nuances das análises jurídicas em curso.

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