quinta-feira , 18 junho 2026
Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom
Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom

A infiltração do crime organizado: como PCC e CV refletem as fragilidades do Estado

A recente inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista norte-americana de organizações terroristas marca uma mudança significativa na percepção e no combate a esses grupos. A medida, anunciada no início do mês, eleva o status dessas facções, que agora serão alvo de diretrizes de contraterrorismo dos Estados Unidos, transcendendo a abordagem exclusiva de narcotráfico e crime organizado. Essa reclassificação sublinha a complexidade e a profundidade da atuação dessas organizações no cenário nacional e internacional, exigindo uma análise mais aprofundada de suas origens e de sua intrínseca relação com a estrutura social e estatal brasileira.

A expansão dessas facções, que nasceram e se fortaleceram dentro do sistema prisional, para além dos muros das penitenciárias, revela um fenômeno que vai além da criminalidade tradicional. Conforme o jurista Barry Wolfe, doutor em Cambridge, o crescimento desses grupos não pode ser explicado apenas por fatores como pobreza, deficiências do sistema prisional ou corrupção. Ele argumenta que o crime organizado, em vez de ser uma força externa ou invasora, é um reflexo direto e um reverso da própria sociedade formal, expondo suas fragilidades e contradições mais profundas.

A ascensão das facções dentro do sistema carcerário

As raízes do Comando Vermelho (CV) remontam ao fim da década de 1970, no presídio da Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ). Sua formação foi influenciada, inclusive, por métodos de guerrilha adotados por prisioneiros políticos de esquerda, que compartilhavam o mesmo ambiente carcerário. Essa origem peculiar já indicava uma capacidade de adaptação e de absorção de diferentes ideologias e estratégias.

Já o Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté (SP), em um contexto de grande comoção social após o Massacre do Carandiru, ocorrido em outubro de 1992, que resultou na morte de 111 detentos pela Polícia Militar. Embora tenham nascido e se desenvolvido dentro do cárcere, o fortalecimento desses grupos sempre esteve intrinsecamente ligado às dinâmicas das ruas. Os muros da prisão, segundo o advogado criminalista Barry Wolfe, isolavam os fundadores apenas do ponto de vista físico, mas não de sua influência e articulação com o mundo exterior.

O crime organizado como espelho da sociedade brasileira

O jurista Barry Wolfe destaca que há uma tendência equivocada de enxergar o crime organizado como algo à parte da sociedade. Ele refuta a ideia de que o PCC, por exemplo, seja uma força invasora. Pelo contrário, Wolfe afirma que

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *