sábado , 13 junho 2026
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Polícia Federal reitera recusa a delação de Daniel Vorcaro em nova tentativa de acordo

A Polícia Federal (PF) confirmou, na noite da última quinta-feira, 11, a rejeição da mais recente proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão foi formalmente comunicada tanto ao Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à equipe de defesa do executivo, marcando um novo capítulo na complexa investigação que envolve o ex-banqueiro.

Esta é a segunda vez que a PF se manifesta negativamente sobre um acordo de colaboração com Vorcaro, reforçando a postura da corporação em relação às informações e provas apresentadas. A recusa anterior havia ocorrido em 20 de maio, sob alegações semelhantes, indicando uma consistência nos critérios de avaliação da força policial.

Razões para a nova rejeição da delação

A Polícia Federal fundamentou sua decisão na avaliação de que Daniel Vorcaro não trouxe elementos novos ou substanciais que pudessem agregar às investigações já em curso sobre o caso Master. O entendimento da corporação é que os depoimentos do ex-banqueiro não apresentaram informações inéditas que fossem além do que já havia sido desvendado pelos investigadores.

Outro ponto crucial para a recusa foi a ausência de provas concretas que pudessem corroborar as alegações feitas por Vorcaro em seus depoimentos. A falta de elementos comprobatórios é um fator determinante para a validação de acordos de delação premiada, que exigem não apenas a revelação de fatos, mas também a apresentação de evidências que os sustentem. A expectativa de que a PF rejeitaria a proposta já circulava nos bastidores do poder desde o início da semana, e a confirmação veio na data mencionada.

O histórico de prisões e a Operação Compliance Zero

Com a delação premiada rejeitada pela PF, Daniel Vorcaro permanece sob custódia, preso desde 4 de março. Sua detenção ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, uma ação que visa apurar crimes graves como corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. A operação tem sido fundamental na desarticulação de esquemas ilícitos no setor financeiro.

Esta é a segunda vez que Vorcaro é preso. A primeira detenção ocorreu em 18 de novembro, quando ele foi interceptado ao tentar embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Poucas horas após essa prisão, o Banco Central do Brasil anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Master, evidenciando a gravidade da situação financeira e legal da instituição e de seu então controlador.

Próximos passos para o ex-banqueiro

Apesar da dupla rejeição por parte da Polícia Federal, Daniel Vorcaro ainda possui uma via para tentar firmar um acordo de colaboração premiada. Ele pode buscar um entendimento com a Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, mesmo que um acordo seja alcançado com a PGR, sua homologação final dependerá da aprovação do ministro André Mendonça, que atua como relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

A delação premiada é um instrumento jurídico que permite a redução ou perdão de penas em troca de informações que ajudem na investigação e punição de outros criminosos. A exigência de novidade e provas robustas é um pilar desse mecanismo, garantindo que a colaboração seja efetiva e traga benefícios reais para a justiça e a sociedade.

Conexões do Banco Master com figuras públicas

Desde que Daniel Vorcaro e o Banco Master se tornaram alvo de investigações, a instituição financeira passou a figurar constantemente no noticiário, em grande parte devido às suas relações com agentes públicos. Essas conexões levantaram questionamentos e geraram repercussão no cenário político e jurídico nacional.

Um dos vínculos mais notáveis era um contrato de R$ 129 milhões que o Banco Master mantinha com a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Este acordo foi rescindido com a decretação da liquidação da instituição financeira. Além disso, o ministro Dias Toffoli, também do Supremo Tribunal Federal, vendeu ações do Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), para um fundo de investimentos que possuía ligação com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Essas relações sublinham a complexidade e o alcance das investigações que envolvem o ex-banqueiro e o Banco Master.

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