domingo , 14 junho 2026
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Ministro Lewandowski alerta que rotulagem de facções pelos EUA pode gerar riscos à economia

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, expressou preocupação com os potenciais impactos econômicos que o Brasil pode enfrentar caso os Estados Unidos classifiquem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A declaração de Lewandowski, repercutida pelo jornal Correio Braziliense, sublinha um cenário de maior rigor para o ambiente de negócios e investimentos no país.

Segundo o ex-ministro, tal medida internacional elevaria significativamente os custos operacionais para empresas e investidores. Estes seriam compelidos a fortalecer seus mecanismos de compliance, seguros e controles internos. O objetivo seria mitigar qualquer risco de associação, mesmo que indireta, com recursos financeiros oriundos do crime organizado, garantindo a conformidade com as novas exigências.

Impacto econômico e a necessidade de compliance

A avaliação de Ricardo Lewandowski aponta para uma nova realidade no cenário econômico brasileiro, onde investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, teriam de adotar uma vigilância redobrada. A preocupação central é evitar qualquer tipo de relação comercial com empresas, fundos ou setores que possam estar, de alguma forma, contaminados por capitais provenientes de organizações criminosas.

Embora o mercado possua uma notável capacidade de adaptação, Lewandowski ressaltou que a eventual classificação dos grupos criminosos brasileiros pelos Estados Unidos imporia a necessidade de procedimentos de fiscalização e controle muito mais rigorosos. A notícia da possível medida norte-americana já teria gerado apreensão entre empresários e investidores, com reflexos imediatos no mercado financeiro. A percepção de um país que abriga organizações terroristas, conforme a citação do ex-ministro, o transformaria em uma espécie de “pária internacional”, com consequências diretas para sua atratividade econômica.

Distinção legal entre crime organizado e terrorismo

Lewandowski também fez questão de salientar a distinção fundamental existente na legislação brasileira entre organizações terroristas e organizações criminosas. Ele explicou que, em geral, grupos terroristas são motivados por ideologias políticas, religiosas ou xenofóbicas, buscando influenciar ou alterar as estruturas de poder e as instituições do Estado. Seu objetivo primordial é a mudança de regime ou a imposição de uma agenda específica.

Por outro lado, as facções criminosas, segundo a legislação nacional, têm como principal objetivo o lucro. Esses grupos, em sua maioria, evitam interferir diretamente na política ou nas estruturas estatais, preferindo preservar seus negócios ilícitos e sua capacidade de operação. A legislação brasileira é clara ao diferenciar essas naturezas, o que, na visão de Lewandowski, deve guiar a forma de combate a esses grupos.

Debate no congresso e a soberania nacional

A questão da classificação de facções como organizações terroristas não é nova no Brasil. Durante a tramitação do Projeto de Lei Antifacção no Congresso Nacional, essa possibilidade chegou a ser debatida. O relator da proposta na época, deputado Guilherme Derrite, incluiu inicialmente essa previsão no texto. Contudo, após discussões e análises, a medida foi retirada do projeto, prevalecendo a abordagem que distingue os tipos de organização.

O ex-ministro defendeu que o enfrentamento às facções criminosas deve ser conduzido por meio dos instrumentos legais já previstos para o combate a organizações criminosas, sem que haja uma equiparação automática ao terrorismo. Ao ser questionado sobre as implicações da medida para a soberania brasileira, um tema sensível e frequentemente abordado pelo governo Lula, Lewandowski optou por não emitir opinião direta. Ele afirmou que a análise desse aspecto complexo caberia exclusivamente ao governo federal e à diplomacia brasileira, elogiando a eficiência do ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira. Para mais informações sobre o tema, consulte o site do Correio Braziliense.

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