A Polícia Federal (PF) identificou um complexo esquema de linguagem cifrada em negociações envolvendo um imóvel de alto padrão, que, segundo as investigações, teria como beneficiário final o senador Jaques Wagner (PT-BA). A apuração revela que aliados do parlamentar e operadores financeiros teriam utilizado termos codificados para dissimular a compra de uma unidade em um edifício de luxo em Salvador, na Bahia.
O caso, que se insere no contexto de investigações mais amplas, aponta para uma tentativa de mascarar a aquisição de um apartamento no Edifício Poème Horto, localizado no prestigiado bairro Horto Florestal. O valor do imóvel, estimado em R$ 2,45 milhões, foi supostamente ocultado por meio de um código específico nas comunicações entre os envolvidos.
A investigação da PF e a linguagem cifrada
A corporação policial, durante suas diligências, interceptou uma série de mensagens que revelaram a estratégia de comunicação velada. Entre os diálogos analisados, destacam-se as trocas entre Daniel Lopes Monteiro, apontado pela PF como operador jurídico e financeiro de uma instituição bancária, e Guilherme Henrique Sodré Martins, descrito como homem de confiança do senador. Monteiro seria o responsável por elaborar contratos com o objetivo de ocultar a real propriedade do bem, enquanto Sodré atuaria como facilitador na articulação do político com o núcleo empresarial sob investigação na Operação Compliance Zero.
Um trecho específico das comunicações chamou a atenção dos agentes: Monteiro escreveu a Sodré que “a altura do vão é 2,45m”. A resposta de Sodré foi um sucinto “perfeito”. A Polícia Federal descartou qualquer relação desse diálogo com questões de engenharia, interpretando o termo “2,45m” como uma referência direta e codificada ao valor do imóvel em milhões de reais. Essa prática visava dificultar o rastreamento das negociações, que também priorizavam encontros presenciais e ligações telefônicas para evitar registros.
O papel dos envolvidos e a indicação do imóvel
As apurações indicam que as tratativas para regularizar a documentação do apartamento prosseguiram mesmo após o início da primeira fase da operação policial. A PF considera o apartamento um dos pontos centrais da investigação, dada a forma como as negociações foram conduzidas e a participação de figuras próximas ao senador.
Em novembro de 2024, o próprio Jaques Wagner teria enviado uma mensagem direta sobre o tema. Ele contatou o empresário Augusto Ferreira Lima, que possui ligações com a instituição bancária investigada. Na mensagem, o senador repassou o telefone de um gerente da construtora e indicou a unidade 1702 do prédio, afirmando de forma explícita: “O preço é 2,45 mi”. Após essa indicação, o empresário teria acionado Valério Marega Júnior para estruturar a engenharia financeira necessária para a transação.
O Edifício Poème Horto: luxo e infraestrutura
O imóvel em questão está em construção no bairro Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas e nobres da capital baiana. O projeto arquitetônico do Edifício Poème Horto é concebido com foco em alto luxo e sustentabilidade, características que o tornam um empreendimento de destaque na região. Com 36 andares, o edifício oferece uma infraestrutura robusta, incluindo uma guarita de segurança equipada com vidros blindados, garantindo privacidade e proteção aos moradores.
As unidades residenciais variam entre 173 m² e 203 m², todas projetadas para oferecer o máximo de conforto e exclusividade. Cada apartamento dispõe de quatro suítes, cinco banheiros e um hall de entrada privativo, reforçando o conceito de moradia de alto padrão. Além disso, os moradores contam com até quatro vagas de garagem e um depósito privativo, complementando as comodidades oferecidas. O condomínio também prevê uma área de lazer completa, projetada para atender às necessidades e ao bem-estar dos seus ocupantes.
Para mais informações sobre as operações da Polícia Federal, acesse o site oficial da instituição.
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