quinta-feira , 18 junho 2026
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner, ainda não se pronunciou sobre a operação da PF | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Senador Jaques Wagner é alvo de operação da PF após negar ‘trambique’ na Bahia

O senador Jaques Wagner (PT-BA) tornou-se alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, um mês após ter afirmado que “na Bahia não nasceu nenhum trambique” ao comentar o escândalo envolvendo uma instituição financeira. A operação marca a primeira vez que a investigação atinge um membro do círculo político mais próximo do presidente.

A declaração do senador, proferida em 13 de agosto no plenário do Senado, ocorreu em resposta à divulgação de um suposto áudio de um parlamentar com o ex-controlador do Banco Master. Na ocasião, Wagner expressou surpresa com a suposta proximidade entre os envolvidos e defendeu a integridade de seu estado natal.

Declaração de Jaques Wagner sobre ‘trambique’ e o caso Master

Durante seu pronunciamento no Senado, Jaques Wagner enfatizou sua ética pessoal e a ausência de envolvimento com irregularidades em seu estado. “Eu não sou mais honesto que ninguém, mas tenho meu código de ética. Não tenho sequer CNPJ. Na Bahia não nasceu nenhum trambique”, afirmou o senador. Ele atribuiu a origem do escândalo ao governo anterior, criticando a atuação do Banco Central por, segundo ele, não ter fiscalizado adequadamente e permitido um grande rombo no sistema bancário.

O senador também rejeitou qualquer tentativa de associar a Bahia ao caso, sustentando que a gênese do problema estava na gestão anterior e na atuação do Banco Central sob a presidência de Roberto Campos Neto. Segundo Wagner, a participação do governo baiano no contexto mencionado limitou-se a uma decisão administrativa de privatização de uma rede de supermercados, visando interromper prejuízos aos cofres públicos.

Operação Compliance Zero alcança Jaques Wagner

A nona fase da Operação Compliance Zero tem como alvos o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do ex-controlador do Banco Master. A ação da Polícia Federal representa um avanço significativo, pois pela primeira vez a investigação atinge um integrante do núcleo político mais próximo do atual presidente.

A Polícia Federal investiga indícios de que o senador teria recebido vantagens indevidas para atuar em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Entre os elementos sob apuração estão a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, pagamentos realizados por meio de uma empresa ligada à mulher de seu enteado, e viagens frequentes em aeronaves utilizadas pelo ex-controlador do banco.

Detalhes da investigação: vantagens e conexões

As investigações apontam para uma rede de conexões e pagamentos que ligariam o senador ao Banco Master. Mensagens trocadas entre Wagner e Augusto Lima foram encontradas, além de documentos que indicam pagamentos de cerca de R$ 11 milhões feitos pelo Banco Master à empresária Bonnie Bonilha, mulher do enteado do senador, por meio de contratos de consultoria.

A Polícia Federal também apura se o senador teria atuado junto ao governo federal para favorecer a compra do Banco Master por uma instituição bancária pública e para apoiar a chamada “emenda Master”, proposta por outro senador, que visava ampliar limites de cobertura para determinados investimentos. Essas ações, se comprovadas, configurariam um favorecimento direto aos interesses da instituição financeira.

Desdobramentos e o histórico da Operação Compliance Zero

O empresário Augusto Lima já havia sido alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. Nesta nova etapa, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao empresário em diferentes localidades, incluindo Brasília, São Paulo e Bahia, aprofundando as apurações sobre o esquema.

Até o momento da publicação desta reportagem, a assessoria de Jaques Wagner e a defesa de Augusto Lima não haviam se manifestado sobre os desdobramentos da operação. A investigação segue em andamento, buscando esclarecer todas as ramificações e responsabilidades no caso do Banco Master. Para mais informações sobre a atuação da Polícia Federal, visite o site oficial.

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