segunda-feira , 15 junho 2026
Foto: Reprodução/ YouTube/ @LulaOficial
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Lula viaja à França para contestar tarifas dos Estados Unidos na cúpula do G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou na tarde deste domingo, 14, rumo à França, onde participará da cúpula do G7. O evento, realizado em Évian-les-Bains, ocorre entre esta terça-feira, 16, e quarta-feira, 17. A missão central do chefe do Executivo brasileiro no encontro é contestar possíveis aumentos de tarifas impostos pelo governo dos Estados Unidos a produtos nacionais.

A viagem ocorre em um momento de tensão comercial entre as duas nações. Embora não haja uma agenda oficial confirmada com o presidente norte-americano, Donald Trump, auxiliares do Palácio do Planalto não descartam a possibilidade de um encontro informal durante a cúpula, espelhando interações diplomáticas anteriores.

Pressão comercial e investigações americanas

A participação de Lula no G7 acontece logo após os Estados Unidos anunciarem uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio. O governo americano sinalizou a possibilidade de aplicar uma tarifa de 25% sobre itens brasileiros. Além disso, Washington avalia a criação de uma taxa adicional de 12,5% para cerca de 60 países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de supostas deficiências no combate ao trabalho forçado.

O cenário de atrito é agravado por decisões políticas recentes. O governo brasileiro manifestou desconforto com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, além da recepção de Donald Trump ao senador Flávio Bolsonaro na Casa Branca.

Diálogo técnico e expectativas diplomáticas

Fontes do Planalto indicam que a proposta de sobretaxa de 25% é o único ponto com chances reais de revisão no curto prazo. O tema é objeto de um grupo de trabalho bilateral, estabelecido após o encontro entre Lula e Trump ocorrido em 7 de maio. O governo brasileiro defende que as negociações devem prosseguir em nível técnico antes de qualquer definição entre os presidentes.

No sábado, 13, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, realizou uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. Novas rodadas de negociação técnica estão previstas para os próximos dias, visando mitigar os impactos das medidas protecionistas.

Discurso contra o unilateralismo

Mesmo na ausência de uma reunião bilateral formal, o tema tarifário deve pautar o discurso de Lula na cúpula. A agenda desta terça-feira, 16, está dedicada aos desequilíbrios macroeconômicos globais. O presidente brasileiro pretende utilizar o espaço para criticar o unilateralismo e a fragilização da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Embora tenha adotado um tom incisivo na última quinta-feira, 11, ao afirmar que Trump não foi eleito para ser “imperador do mundo”, a expectativa de auxiliares é que o presidente adote uma postura mais diplomática durante o evento na França. O objetivo é alinhar a retórica brasileira ao ambiente de concertação do G7.

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