Uma profunda crise política se instalou no diretório do Partido Novo em Santa Catarina, desencadeada pela decisão do presidente estadual, Kahlil Zattar, de revogar o convite feito ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para participar de um evento partidário. O episódio, que rapidamente ganhou repercussão interna, provocou um forte desconforto entre membros da legenda, culminando na organização de uma petição que pede a abertura de um processo contra Zattar e, potencialmente, uma intervenção na gestão catarinense do partido.
A controvérsia não se limita apenas à presença de Zema no evento, agendado para 4 de julho. Ela expôs tensões preexistentes e levantou questões sobre a condução do diretório estadual, transformando o debate sobre a participação de uma figura proeminente em uma discussão sobre a liderança interna do Novo em Santa Catarina. A situação é vista por muitos como um ataque direto a uma das principais lideranças da legenda, com implicações para as próximas eleições.
O estopim da crise: desconvite a Romeu Zema
A reação em cadeia começou horas após a confirmação de que Romeu Zema não participaria do evento em Santa Catarina. A decisão unilateral de Kahlil Zattar de retirar o convite a Zema, uma figura de destaque e potencial candidato nas eleições de 2026, gerou um imediato mal-estar. Integrantes do partido, incluindo pré-candidatos, dirigentes e filiados de diversos estados, manifestaram sua insatisfação.
A irritação foi intensificada pela percepção de que a medida foi tomada sem consulta prévia aos pré-candidatos e à estrutura partidária. Essa falta de diálogo prévio é um ponto crucial para a mobilização interna, que agora busca reverter a situação e responsabilizar o presidente estadual pela decisão.
Repercussões internas e pressão nacional
O desconvite a Zema rapidamente escalou para além de uma questão local, atraindo a atenção da direção nacional do Partido Novo. Relatos indicam que líderes de diferentes estados começaram a pressionar a cúpula da legenda, considerando o gesto de Zattar um ataque direto à principal liderança do Novo para o pleito de 2026. A mobilização interna em Santa Catarina, com a coleta de assinaturas para uma petição, reflete a gravidade da situação.
A iniciativa visa não apenas a abertura de um processo contra o presidente estadual, mas também a possibilidade de uma intervenção na gestão do diretório catarinense. Esse movimento demonstra a insatisfação generalizada com a forma como o diretório tem sido conduzido, transformando um incidente específico em um catalisador para uma reavaliação mais ampla da liderança local.
Antecedentes do conflito e a posição de Zema
A crise atual tem raízes em um descontentamento que, segundo integrantes do partido, já existia há meses em relação à gestão do diretório catarinense. O desconvite a Zema apenas trouxe à tona publicamente essas tensões internas. O pano de fundo para a decisão de Zattar foi a crítica de Zema ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Zema havia questionado o pedido de Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro por uma verba para o patrocínio do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A reação de Kahlil Zattar a essas críticas, ao desconvidar Zema, acabou por desviar o foco do debate político externo para uma acirrada disputa interna dentro do próprio Partido Novo.
O futuro da liderança em Santa Catarina
Atualmente, o centro da discussão dentro do Partido Novo não é mais a presença de Romeu Zema em um evento específico, mas sim a permanência de Kahlil Zattar no cargo de presidente do diretório em Santa Catarina. A ofensiva contra Zattar ganhou força considerável, com muitos dirigentes da legenda questionando sua capacidade de liderança e a forma como as decisões são tomadas.
A possibilidade de um processo interno e de uma intervenção na gestão catarinense indica que o partido está em um momento decisivo. O desfecho dessa crise poderá redefinir as dinâmicas de poder dentro do Novo em Santa Catarina e ter impactos significativos na estratégia da legenda para as próximas eleições, especialmente considerando o papel de Zema como uma figura central no cenário político nacional.
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