O esquema de proteção em torno do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, passou por uma reestruturação significativa nos últimos meses. A decisão, tomada pela cúpula do Judiciário, foi motivada por uma análise técnica interna que apontou um aumento real nos riscos à integridade física do magistrado. O alerta de segurança foi intensificado após o ministro assumir a relatoria de processos que investigam fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Além do caso envolvendo a instituição financeira, a necessidade de proteção adicional também está ligada a outro inquérito de grande repercussão sob a relatoria de André Mendonça: a investigação sobre desvios e fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Ambos os processos possuem em comum o envolvimento de figuras influentes do cenário político que possuem foro privilegiado.
Ampliação do aparato de proteção e monitoramento
A Secretaria de Polícia Judicial promoveu uma readequação na rotina de segurança do ministro, ampliando o contingente de agentes dedicados ao seu acompanhamento. A nova dinâmica de proteção inclui o uso de equipamentos específicos e uma vigilância constante sobre possíveis ameaças. O aparato ostensivo agora acompanha o magistrado em todos os seus compromissos oficiais, incluindo as sessões no STF e as atividades no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde atua como vice-presidente.
Segurança estendida a atividades civis e religiosas
A preocupação com a integridade do ministro ultrapassou as fronteiras das agendas institucionais, alcançando também sua vida privada. Agentes de segurança, incluindo profissionais à paisana, foram designados para acompanhar André Mendonça em suas atividades como professor universitário e em seus compromissos religiosos na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, localizada em São Paulo. A medida visa mitigar qualquer vulnerabilidade durante o exercício de suas funções civis.
Contexto das ameaças e o caso Banco Master
O cenário de risco para o magistrado tornou-se mais crítico desde o início de 2026. Em março daquele ano, André Mendonça decretou a segunda prisão preventiva de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A decisão judicial foi fundamentada em provas obtidas pela Polícia Federal, que interceptou mensagens no celular do banqueiro.
As investigações revelaram a existência de uma milícia privada, autodenominada “A Turma”, que era mantida por Vorcaro. Segundo os autos, a estrutura armada era utilizada para coagir e ameaçar desafetos da família do investigado. Diante da natureza violenta das descobertas, a cúpula administrativa do Judiciário optou por acelerar as medidas de proteção extrema, conforme reportado pela Folha de S.Paulo.
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