terça-feira , 9 junho 2026
Foto: StockKing/Freepik
Foto: StockKing/Freepik

União Europeia suspende importação de carne brasileira por divergências sanitárias

Impacto nas exportações e exigências sanitárias

A União Europeia oficializou, na sexta-feira, dia 5 de junho de 2026, a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal sob as normas vigentes do bloco. A decisão impacta diretamente um volume de negócios que atingiu US$ 1,8 bilhão em 2025, colocando em xeque a continuidade do fornecimento de carne bovina, frango, equina, além de mel e pescado.

O entrave central reside na utilização de antimicrobianos na cadeia produtiva. Segundo o bloco europeu, o Brasil não apresentou garantias satisfatórias de que substâncias proibidas pelos padrões sanitários do continente não estão sendo empregadas na pecuária nacional. O mercado europeu figura como o segundo maior destino das exportações brasileiras do setor, ficando atrás apenas da China.

O peso econômico do mercado europeu

Os números refletem a relevância estratégica dessa relação comercial. No ano de 2025, o Brasil exportou 368 mil toneladas de produtos de origem animal para os países da União Europeia. Desse montante, a carne bovina foi o principal item, totalizando US$ 1,04 bilhão em vendas, enquanto o setor de carne de frango contribuiu com US$ 762 milhões.

A interrupção dessas exportações gera preocupação no agronegócio, dado o volume financeiro envolvido. A conformidade sanitária é, historicamente, um pilar fundamental para a manutenção de acordos internacionais de comércio, e a falta de alinhamento com as exigências europeias coloca em risco a estabilidade desses contratos.

Desafios na rastreabilidade e fiscalização

Especialistas apontam que a restrição não se limita a um fármaco isolado, mas sim a uma exigência mais ampla por parte da União Europeia. O bloco tem endurecido o controle sobre o uso de promotores de crescimento animal, como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina. A questão central gira em torno da capacidade brasileira de assegurar a rastreabilidade e a fiscalização rigorosa de toda a produção destinada ao mercado externo.

Embora o Ministério da Agricultura tenha proibido, em abril, a importação, fabricação e uso de substâncias como avoparcina e virginiamicina, a adequação total exige mais. Para retomar o acesso ao mercado europeu, o Brasil precisará implementar sistemas de certificação mais robustos que comprovem, de forma inequívoca, a ausência desses insumos nos produtos exportados.

Para mais detalhes sobre as normas de comércio internacional, consulte o portal oficial da Comissão Europeia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *