terça-feira , 9 junho 2026
Foto: Reprodução/Revista Oeste
Foto: Reprodução/Revista Oeste

Agronegócio: ex-ministro critica falta de orgulho nacional e defende valorização do setor

O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, trouxe à tona um debate crucial sobre a percepção e o reconhecimento do agronegócio brasileiro. Durante sua participação no programa Arena Oeste, Rodrigues enfatizou que, apesar de ser uma potência global na produção de alimentos, o Brasil ainda falha em comunicar e valorizar internamente o orgulho e a importância estratégica do setor para a nação. A discussão ressalta a disparidade entre a relevância econômica e social do agro e a forma como ele é compreendido pela própria população.

A reflexão do ex-ministro aponta para uma lacuna cultural na forma como os brasileiros enxergam o trabalho árduo e a inovação por trás da cadeia produtiva. Ele argumenta que essa falta de reconhecimento impede que o país celebre devidamente suas conquistas no campo, que são fundamentais para a segurança alimentar global e para a economia nacional.

A percepção europeia e o contraste brasileiro

Rodrigues traçou um paralelo com a Europa, onde, segundo ele, há um profundo respeito pela agricultura. O ex-ministro citou exemplos de países europeus que cultivam um orgulho intrínseco por seus produtos agrícolas e pela resiliência de seus produtores. Essa valorização, explicou, é enraizada na história e na experiência de crises, como os rigorosos invernos, que ensinaram a população a depender e a respeitar o trabalho do campo para a garantia do abastecimento alimentar.

Em contraste, no Brasil, a agricultura é frequentemente vista como uma atividade simples e acessível, desconsiderando os desafios diários enfrentados pelos produtores. A luta constante contra as intempéries climáticas, as adversidades financeiras e as complexidades regulatórias são aspectos muitas vezes ignorados, o que contribui para uma desvalorização do setor.

A trajetória de Roberto Rodrigues e o desenvolvimento do agronegócio

A experiência de Roberto Rodrigues no agronegócio é vasta e multifacetada. Formado em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) em 1965, ele dedicou sua carreira ao desenvolvimento e à institucionalização do setor. Em 1993, assumiu a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, onde desempenhou um papel fundamental na estruturação da política agrícola estadual.

Posteriormente, em 2003, Rodrigues foi convidado a assumir o Ministério da Agricultura, cargo que ocupou por três anos. Sua gestão foi marcada por iniciativas importantes, incluindo a co-fundação da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), uma entidade crucial para a representação do setor em todas as etapas da cadeia produtiva. Ele também é um dos fundadores da Agrishow, reconhecida como a maior feira agrícola da América Latina, evidenciando seu compromisso com a inovação e a visibilidade do agro.

Da importação à potência mundial: o papel da ciência

Rodrigues relembrou um passado não tão distante, há cerca de 50 anos, quando o Brasil era um grande importador de alimentos. A transformação do país em uma potência agrícola global é, em grande parte, resultado de uma visão estratégica e do investimento em pesquisa e tecnologia. A criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pelo governo militar foi um marco decisivo nesse processo.

A Embrapa, ao adotar a pesquisa e a tecnologia como pilares, enviou milhares de técnicos para o exterior, que retornaram com conhecimentos adaptados às características únicas do solo e clima brasileiros. Essa abordagem científica permitiu o desenvolvimento de técnicas e culturas que, gradualmente, converteram o Brasil em um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Atualmente, o país exporta para cerca de 200 nações, contribuindo para alimentar uma parcela significativa da população mundial.

Desafios e o futuro da valorização do setor

Apesar das conquistas históricas, o ex-ministro ressalta que a percepção interna do agronegócio ainda precisa evoluir. A visão de que

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *