segunda-feira , 15 junho 2026
Foto: JF Martin/Unplash
Foto: JF Martin/Unplash

Inflação global: Cuba, Venezuela e Irã registram as maiores altas de preços

A economia global enfrenta desafios significativos, e a inflação desponta como um dos mais corrosivos para o poder de compra das populações. Em um cenário de instabilidade, países como Venezuela, Irã, Cuba e Coreia do Norte se destacam negativamente, registrando as taxas de aumento de preços mais elevadas do mundo. A situação em Cuba, em particular, reflete uma grave deterioração econômica, intensificada por uma crise energética e a desvalorização acentuada de sua moeda.

Panorama Global da Inflação

Um levantamento recente, conduzido pelo renomado economista norte-americano Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins, posiciona a Venezuela na liderança global de inflação, com uma taxa anual alarmante de 574%. Em seguida, o Irã registra 115%, enquanto Cuba ocupa a terceira posição com 66%. A Coreia do Norte completa a lista dos países mais afetados, com uma inflação de 22%. A metodologia de Hanke se diferencia da utilizada por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), baseando-se na taxa de câmbio paralela para estimar a inflação em nações onde as estatísticas oficiais são limitadas ou consideradas menos confiáveis.

Crise Cubana: Desvalorização e Escassez

A crise econômica em Cuba é multifacetada, com a inflação corroendo o poder de compra dos cidadãos e a escassez de produtos essenciais se tornando uma realidade diária. Mesmo os dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (Onei), uma entidade oficial cubana, confirmam a deterioração. Nos primeiros cinco meses de 2026, o índice de preços ao consumidor acumulou uma alta de 9,16%. Comparando com maio do ano anterior, a inflação atingiu 15,89%, evidenciando a escalada contínua.

A desvalorização do peso cubano agrava ainda mais o cenário. Segundo o estudo de Hanke, a moeda nacional perdeu aproximadamente 40% de seu valor nos últimos 12 meses. Essa queda pressiona diretamente o custo de produtos básicos e reduz drasticamente o poder de compra da população, tornando a vida mais difícil para os cubanos.

Impacto Direto nos Bens Essenciais

O impacto da inflação é palpável no dia a dia dos cubanos, especialmente nos itens de primeira necessidade. O leite em pó, por exemplo, viu seu preço disparar de 2 mil pesos por quilo no início de abril para 2,4 mil pesos no fim de maio, alcançando 3,2 mil pesos no começo de junho. Este aumento representa um desafio imenso, especialmente considerando a escassez do produto, que afeta até mesmo a distribuição destinada às crianças.

Autoridades cubanas atribuem parte desses problemas à interrupção das operações de algumas companhias marítimas, que temem sanções dos Estados Unidos, além da persistente falta de combustível. Outros alimentos básicos também registram aumentos significativos. O café teve uma alta de 7,7% em maio, passando de 600 para 850 pesos em poucas semanas em mercados locais. O açúcar, outrora um pilar da economia cubana e hoje frequentemente importado, viu o preço da libra subir de 320 para 450 pesos. Farinha, sal e diferentes tipos de carne também apresentaram reajustes entre 2,5% e 9% no último levantamento, enquanto o setor de restaurantes acumulou um aumento anual superior a 26%.

Perspectivas e Desafios Contínuos

A alimentação continua sendo um dos segmentos mais castigados pela inflação, com os preços dos alimentos quase 20% mais altos em maio de 2026 em comparação com o ano anterior. O transporte também se tornou um fardo maior para as famílias, com um aumento oficial de 21,7% em apenas um ano. No mercado informal de câmbio, o dólar já ultrapassa 640 pesos e o euro se aproxima de 730 pesos, o que dificulta ainda mais a preservação do poder de compra.

Especialistas alertam que a combinação de desvalorização cambial, escassez de produtos, crise energética e dificuldades de importação cria um ciclo vicioso que alimenta a inflação, sem sinais claros de reversão no curto prazo. A população cubana, assim, enfrenta um cenário de desafios econômicos persistentes, onde a busca por bens essenciais se torna uma luta diária. Para mais informações sobre a economia global, consulte fontes confiáveis como o Valor Econômico.

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