sábado , 13 junho 2026
Foto: Divulgação/B3
Foto: Divulgação/B3

Saída de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira atinge R$ 12 bilhões em maio

A Bolsa de Valores do Brasil (B3) registrou uma significativa saída líquida de capital estrangeiro em maio, totalizando R$ 12 bilhões. Este montante representa o maior fluxo mensal negativo desde julho de 2025, conforme detalhado em um relatório recente do Bank of America (BofA). O movimento reflete uma tendência mais ampla de cautela global em relação aos mercados emergentes, influenciada por fatores macroeconômicos internacionais.

A retirada de recursos ocorreu em um cenário de reprecificação dos juros nos Estados Unidos, que tem fortalecido o dólar e deteriorado o apetite dos investidores por ativos em países em desenvolvimento. A análise do BofA sublinha a complexidade do ambiente financeiro global e seus impactos diretos sobre a economia brasileira e latino-americana.

Fluxos de capital e o desempenho da Bolsa brasileira

O levantamento do Bank of America aponta que a maior parte das vendas por investidores estrangeiros se concentrou no mercado à vista, que registrou um fluxo negativo de R$ 15 bilhões. No entanto, o mercado futuro observou uma entrada de R$ 3 bilhões, um valor insuficiente para compensar as perdas no mercado à vista.

Em termos setoriais, o setor de Energia foi a única área a atrair compras líquidas de estrangeiros no mercado à vista. Em contrapartida, o setor de Consumo Discricionário, que engloba empresas de varejo e serviços não essenciais, liderou as vendas. O relatório enfatiza que os fundos globais de mercados emergentes foram o principal epicentro dessas saídas de capital.

Cenário global e o impacto nos mercados emergentes

O mês de maio foi marcado por um desempenho inferior da América Latina em comparação com os mercados globais. Os fundos de mercados emergentes, excluindo a exposição à China, registraram fluxos negativos pela primeira vez desde agosto de 2025, com uma saída de US$ 6 bilhões. Este movimento reverteu a entrada de US$ 8 bilhões observada em abril, encerrando uma sequência de oito meses consecutivos de captação.

Regionalmente, os investidores reduziram suas posições na América Latina e na Índia, enquanto aumentaram a exposição a mercados como Coreia do Sul e Taiwan. Essa mudança indica uma perda de interesse mais ampla por emergentes, ao mesmo tempo em que setores ligados à inteligência artificial e tecnologia continuam a atrair recursos significativos. Apesar da recente retirada, o saldo acumulado do ano para os fundos de emergentes sem China permanece positivo em US$ 85 bilhões, superando os US$ 48 bilhões registrados em 2025.

Dinâmica dos fundos domésticos e outros ativos

No mercado doméstico, o relatório do BofA observou uma desaceleração nos resgates de fundos de ações. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicaram uma saída de R$ 0,6 bilhão em maio, após uma entrada de R$ 0,3 bilhão em abril. O fluxo semanal médio negativo diminuiu para R$ 0,1 bilhão nos últimos dois meses, um valor consideravelmente menor em comparação com as médias do primeiro trimestre de 2026 e de 2025.

Contrariando essa tendência, os fundos multimercados continuaram a enfrentar retiradas de recursos, somando R$ 5,7 bilhões em maio, acima dos R$ 3 bilhões de abril. A participação de ações na carteira da indústria de fundos brasileira também registrou uma leve queda, passando de 8,1% em março para 8,0% em abril. Além disso, os fundos de crédito corporativo viram uma aceleração nos resgates, com R$ 22,6 bilhões em maio, superando os R$ 15 bilhões de abril, embora o fluxo acumulado no ano para esta categoria ainda seja positivo em R$ 44 bilhões. A poupança, por sua vez, recebeu R$ 10 bilhões em abril e nos primeiros dias de maio, mas acumula uma saída líquida de R$ 13 bilhões em 2026. Para mais informações sobre o cenário econômico, consulte Valor Econômico.

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