Uma nova ameaça paira sobre a balança comercial brasileira. Estimativas recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que as tarifas propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) têm o potencial de atingir 54,1% do volume total de exportações do Brasil destinadas ao mercado norte-americano. O cenário de incerteza surge após alegações do governo dos Estados Unidos sobre a suposta adoção de práticas desleais pelo Brasil no comércio internacional.
Impacto tarifário nas cadeias produtivas
O levantamento detalhado pela CNI aponta para um aumento expressivo nos custos de diversos setores. Segundo os cálculos da entidade, 31,6% dos produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos passariam a enfrentar uma tarifa de 37,5%, um salto considerável em relação aos 10% aplicados atualmente. Adicionalmente, 3,6% das exportações seriam submetidas a uma alíquota de 12,5%, superando também a taxa vigente de 10%.
A projeção da confederação incorpora ainda produtos que já são alvo de medidas tarifárias setoriais em vigor. Ao somar esses fatores, a entidade alerta que mais da metade das vendas brasileiras para o país norte-americano ficaria sujeita a algum tipo de sobretaxa, caso as propostas avancem conforme o planejado pelas autoridades dos Estados Unidos.
Produtos sob risco de novas alíquotas
A lista de itens que podem sofrer o impacto mais severo, com a tarifa de 37,5%, inclui commodities e bens industriais estratégicos. Entre eles estão o ferro-gusa não ligado, o açúcar de cana em forma sólida, o sebo não comestível, o álcool etílico não desnaturado e as molduras de madeira de pinho.
Já o grupo de produtos que enfrentaria a alíquota de 12,5% abrange itens como minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas, lajes de quartzito e óleos essenciais de laranja. A lista ainda contempla o silício e determinados tipos de pasta química de madeira, setores que possuem relevância na pauta exportadora nacional.
Perspectivas e riscos para o investimento
Embora os números sejam expressivos, a CNI ressalta que as medidas ainda não possuem caráter definitivo. A proposta deve passar por um processo de consulta pública e audiências nos Estados Unidos antes de qualquer implementação oficial. O presidente da CNI, Ricardo Alban, manifestou preocupação com os desdobramentos dessa política comercial.
Segundo Alban, a adoção dessas tarifas pode gerar impactos negativos tanto para as cadeias produtivas brasileiras quanto para as norte-americanas. A elevação dos custos tende a reduzir a competitividade das empresas em ambos os mercados, além de ampliar a insegurança jurídica e econômica para novos investimentos. Mais informações sobre o cenário econômico podem ser acompanhadas pelo portal oficial da CNI.
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