A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou uma investigação rigorosa para apurar a suspeita de transporte irregular de passageiros em uma das aeronaves envolvidas no trágico acidente ocorrido no Rio de Janeiro, no último domingo, 14. A colisão, que resultou na morte de seis pessoas, levanta questionamentos sobre a conformidade operacional dos voos realizados na região.
Segundo informações oficiais da agência, o helicóptero de prefixo PP-MAC não possuía a certificação necessária para realizar o transporte remunerado de passageiros. Apesar da ausência dessa autorização específica, a aeronave transportava quatro ocupantes, além do piloto, no momento em que o acidente foi registrado. O destino final do voo era o município de Angra dos Reis.
Irregularidades operacionais e certificação de voo
Os indícios coletados até o momento pela Anac apontam para a possível exploração comercial de um voo que não contava com a devida certificação exigida pela legislação brasileira. O diretor-presidente da agência, Tiago Pereira Faierstein, confirmou que o órgão já havia recebido denúncias prévias relacionadas à operação desta aeronave específica, e que o processo de apuração segue em curso.
Pelas normas vigentes, aeronaves privadas possuem restrições claras quanto ao seu uso. Elas devem ser operadas exclusivamente pelo proprietário, por um operador designado ou por convidados, sendo terminantemente proibida a cobrança por serviços de transporte sem a devida certificação comercial. A agência trabalha para determinar se houve, de fato, o descumprimento dessas normas de aviação civil.
Contexto do acidente e responsabilidades
A colisão ocorreu sobre o bairro Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da capital fluminense. O segundo helicóptero envolvido no incidente, de prefixo PR-DJJ, tinha como destino a região serrana do Estado. De acordo com a Anac, as duas aeronaves estavam com a documentação em dia e os pilotos possuíam habilitação válida para o exercício da profissão.
O acidente vitimou o piloto Alexandre Souza, o youtuber argentino Gaspi, o cantor norte-americano Oliver Tree, o produtor musical Lucas Frota e o cineasta argentino Lucas Vignale. O piloto da segunda aeronave, Chales Marsillac, também não sobreviveu ao impacto.
Investigação técnica e próximos passos
A apuração das causas técnicas e das circunstâncias que levaram à colisão está sob a responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira. O trabalho pericial é fundamental para esclarecer a dinâmica do evento aéreo.
Enquanto o Cenipa foca na segurança de voo, a Anac concentra seus esforços na esfera administrativa e regulatória. O objetivo é verificar se houve negligência ou dolo na oferta do transporte, garantindo que as normas de segurança aérea sejam cumpridas para evitar novos incidentes dessa natureza no espaço aéreo nacional.
Lado Direito